sábado, 20 de dezembro de 2008

PAPAI NOEL: Do analógico ao digital

Velhinho de barbas brancas, roupa vermelha e num trenó puxado por renas voadoras. Esta é a imagem que todos têm do Papai Noel. O que mudou, porém, foram as formas de se corresponder com ele.
Da mesma forma que os meios de comunicação evoluíram no tempo, o contato com o Bom Velhinho também evoluiu. Passou do bilhetinho dentro das meias penduradas nas janelas e lareiras às cartinhas enviadas pelos Correios e destas aos e-mails, blogs, e sites oficiais para correspondências com ele.Na era digital a praticidade e a velocidade reinam. Dessa maneira, fica ainda mais fácil falar com Papai Noel. Em seu site oficial (www.opapainoel.com.br), as crianças podem brincar, conversar, ouvir músicas e enviar cartinhas, além de conhecer sua história, sua origem, e seu endereço. A tecnologia da era digital domina o desejo das crianças, e hoje alguns dos presentes pedidos nas cartinhas para Papai Noel são Ipods, computadores, celulares e Playstations, dentre outros.Apesar disso, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT), mantém há cerca de 30 anos o Projeto Papai Noel dos Correios, surgido da imaginação de crianças, na maioria de baixa renda, que resolviam escrever ao Papai Noel pedindo-lhe um presente por ocasião do Natal. As cartinhas não podiam ser entregues porque eram endereçadas a Papai Noel e remetidas ao Pólo-Norte, portanto, os empregados dos Correios abriam essas cartinhas e começaram a atender aos pedidos, até que um dia, há cerca de 15 anos, a Empresa institucionalizou a atividade com o nome de Projeto Papai Noel dos Correios.Em Aracaju, este ano, o Projeto recebeu mais de dez mil cartinhas. Mas um fato curioso aconteceu: ao invés de presentes para si mesmas, estas crianças pediam cestas básicas, roupinhas para passar o Natal, material escolar e até material de construção. Segundo o assessor de comunicação dos Correios, José Ginaldo dos Santos isso é um reflexo do que a sociedade está vivendo e é preciso recuperar valores que estão se perdendo. “Resgatar o espírito natalino e fomentar sentimentos inerentes a esse período como: solidariedade, compaixão e respeito ao próximo, atendendo pedidos de crianças que escrevem ao Papai Noel”, explica.

Papai Noel Virtual
Em 2007, a Microsoft criou o MSN e um e-mail em nome do Papai Noel. Era um serviço para que as crianças que possuem acesso à Internet conversassem com ele através de mensagens instantâneas. Este canal de comunicação possibilitava também facilidade e agilidade em contar seus desejos ao Bom Velhinho.O contato virtual com o Papai Noel surgiu em Los Angeles, EUA, mas infelizmente não deu certo, pois as respostas eram geradas por um programa, o que apresentou diversos problemas com algumas respostas do Papai Noel que derivavam para temas sexuais. A Microsoft, então, retirou o serviço, que já vinha incluído no programa do Messenger. Entretanto, segundo o site do Estadão (www.estadao.com.br), as páginas virtuais que oferecem às crianças contato direto com o Papai Noel vêm se proliferando na América do Norte nos últimos anos, tomando paulatinamente o lugar das antigas cartas escritas ao bom velhinho.

A lenda do Papai Noel continua…

Aproveitando os festejos de fim de ano para obter uma renda extra, Antônio Carlos de Oliveira Souza trabalha de Papai Noel no Shopping Jardins e também é avô. Ele nota que o mundo está mudando, a inteligência, o olhar e o interesse das crianças se modificam, mas a fantasia continua presente “É realmente fascinante a inteligência das criancinhas, o mundo atualizado faz a cabeça delas, e hoje, no encontro delas comigo me pedem computador, celular, jogos. Apesar de tudo a cultura não foi perdida, e a lenda do Natal e do Papai Noel continua”, diz.Por mais que aconteçam mudanças, os sonhos e os desejos das crianças e os sons musicais do Papai Noel não foram eliminados, continuam embalando as características do Natal. E essa lenda do Papai Noel foi inspirada em um arcebispo da igreja católica, Nicolau Taumaturgo, que viveu no séc. IV e fazia doações aos pobres.
A imagem de Papai Noel contemporâneo foi feita por Thomas Nast, em 1886, na revista Harper’s Weeklys e amplamente divulgada pela Coca Cola a partir de 1931. Daí que a história que circula pela internet de que ela seja a responsável pelo atual visual não é verdadeira. Ela apenas veiculou numa campanha publicitária as cores do Papai Noel de Nast que coincidiam com as cores de sua marca.
O que não devemos esquecer é que na era analógica ou na digital, o Papai Noel está associado às cartinhas. Mesmo com todo o desenvolvimento tecnológico, ainda há cartinhas com pedidos cheios de esperança em contraste com o sofrimento. Ainda existem pedidos de paz, amor e união. Assim é o Natal de todas as crianças. Seja rica, seja pobre, através de e-mails, MSN e até mesmo nas cartinhas manuscritas e cheias de desenho. No fundo o que todas querem é ser feliz… e ganhar presentes.

Por Elaine Mesoli, Allana Rafaela, Aryane Henriques e Joanne Mota
Postado originalmente no blog empautaufs.wordpress.com
Imagens: Google

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Papai Noel dos Correios: adote uma cartinha e melhore o natal de uma criança*

Mais de nove mil cartas endereçadas ao Papai Noel foram recebidas pelos Correios até ontem, dia 01/12, quando aconteceu o lançamento oficial do Projeto Papai Noel dos Correios, que já existe há quase 30 anos.
No ano passado foram recebidas 2 901 cartas e foram atendidas 1,700. Este ano o número triplicou, superando todas as expectativas. O sucesso do projeto se deve a divulgação nas escolas pelos professores e pelos pais, que incentivam seus filhos a escreverem ao bom velhinho fazendo seus pedidos.
Em geral são crianças carentes que moram nas periferias da grande Aracaju, mas tem também muitas cartinhas de Moita Bonita e Santa Luzia do Itanhy e de todo o interior do Estado. Nos pedidos são encontrados desde roupas até computadores, porém o pedido campeão este ano são os materiais escolares. As crianças pedem cadernos, lápis, tênis e mochilas e escrevem, de maneira singela, que estão cansados de irem à escola com fardas e materiais já usados.
Existem também casos engraçados como o de Dona Marli, moradora do Bairro Industrial e que já enviou mais de 30 cartas pro Papai Noel. Dona Marli chega a numerar as cartas que envia e chegou a pedir, numa delas, a quantia de 2000 reais para saldar uma dívida. “A gente tem de tentar a sorte. Não sabia que o projeto era voltado apenas para as crianças e que só era aceita apenas uma carta. Por isso mandei tantas. Pensei que fosse por sorteio. Agora que sei, ano que vem só vou mandar para os meus netinhos e uma só para cada.”, diz ela sorrindo.


No lançamento do projeto, no hall da Agência Central dos Correios, apresentou-se o coral CARTAVOZES, composto por funcionários ativos e aposentados da empresa. Houve também o lançamento da exposição de quadros da artista plástica Marly Gentil Barreto, empregada aposentada dos Correios, cuja obra ficará exposta todo o mês de dezembro.
Em entrevista exclusiva ao Inclusão Social, o assessor de comunicação dos Correios, José Ginaldo dos Santos, que este ano está responsável pelo Projeto, nos contou como funciona e o que fazer para adotar uma cartinha e se tornar um voluntário. Acompanhe.

IS - Quem pode adotar uma carta?
R – Qualquer pessoa pode adotar uma carta, desde tenha real interesse em atender ao pedido da criança.

IS - Como fazer para adotar uma carta?
R – Basta comparecer à Agência Central dos Correios, situada à Rua Laranjeiras, 229, Centro, Aracaju/SE e procurar o setor de atendimento do Projeto Papai Noel dos Correios. Lá o interessado encontrará diversas cartas, podendo escolher aquela que melhor atenda o seu desejo. Escolhida a carta a pessoa adquire o presente e o entrega no mesmo local (Agência Central dos Correios). O presente será entregue à criança pelo Papai Noel dos Correios.

IS - Há quantos anos existe o projeto aqui em Sergipe? Como se originou?
R – Não sabemos ao certo há quantos anos existe, pois é antigo, 30 anos, talvez. Surgiu da imaginação de crianças que resolviam escrever ao Papai Noel pedindo-lhe um presente por ocasião do Natal – crianças pobres, na maioria. Empregados dos Correios, não podendo entregar as cartas por serem endereçadas a Papai Noel e sem endereço ou remetidas ao Pólo-Norte, ao Céu etc., abriam essas cartinhas e começaram a atender aos pedidos, por compaixão, talvez, até que um dia, há cerca de 15 anos, a Empresa institucionalizou a atividade com o nome de Projeto Papai Noel dos Correios.

IS - Pode ler a carta antes a adotá-la?
R – Sim, e é exatamente por poder ler as cartas que a maioria das pessoas se sensibiliza a acabam por adotá-las, pois muitas vezes a forma como a criança apresenta seu pedido nos emociona.

IS - Quantas cartas o Correio recebem todo ano, em Sergipe?
R – Não temos ao certo o número de cartas recebidas nos anos anteriores. Sabemos que em 2007 foram 2.901 cartas. A cada ano o número de cartas cresce consideravelmente. Este ano já chegou a 9 mil podendo ultrapassá-lo.

IS - Qual a percentagem de adoção?
R – Normalmente chega a aproximadamente 70%. Algumas são eliminadas, pois fogem aos critérios do projeto (pedidos fora da realidade etc.).

IS - Como é feita a entrega?
R – Normalmente a entrega é feita por um Carteiro, vestido de Papai Noel, em data próxima ao Natal.

IS - E se a família da criança souber do projeto e mandar diversas cartas?
R – Normalmente isso tem ocorrido, porém o sistema só aceita a inclusão de uma, logo as demais serão desconsideradas, até para evitar que uma mesma criança receba mais de um presente e outras não recebam nenhum.

IS - Qual idade limite da criança para a carta fazer parte do projeto?
R – 12 anos, é a idade limite, até porque acima disso, talvez o sonho já não seja mais de criança, com algumas exceções, talvez.

IS - Existe algum critério para que a cartinha seja selecionada?
R – Além da idade, como já dissemos, 12 anos, observa-se também: a natureza do pedido (tipo de presente solicitado e motivo); situação sócio-econômica da família (local onde mora, composição e renda familiar, quando possível); situação de vida relatada (portadores de necessidades especiais, invalidez etc.).

IS - Quem participa do Projeto?
P – Empregados dos Correios e pessoas voluntárias, mesmo que não trabalhem nos Correios também poderão participar.

IS - Entidades jurídicas como empresas, ONG’s, podem adotar cartas ou apenas pessoas que fazem parte da sociedade civil?
R – Qualquer pessoa, seja física ou jurídica, empresas, ONG’s, entidades etc. podem adotar cartas. A única exigência do Projeto é que o façam de forma despretensiosa, ou seja, sem vinculação de imagem institucional ao Projeto, como fazem os cidadãos e cidadãs comuns.

IS - Como a criança sabe que sua cartinha foi contemplada?
R – Normalmente não sabe porque não há nenhuma ação dos Correios no sentido de informá-la quanto a isso. Apenas entregamos os presentes àquelas que foram contempladas. Uma informação importante é que a todas elas o Papai Noel dos Correios escreve uma cartinha, estimulando-as a continuarem escrevendo, a serem crianças boas, educadas, estudiosas e obedientes (mais ou menos assim).

IS - Qual o objetivo da campanha?
R – Resgatar o espírito natalino e fomentar sentimentos inerentes a esse período como: solidariedade, compaixão e respeito ao próximo, atendendo pedidos de crianças que escrevem ao papai Noel.

IS - Quem procurar para adotar uma carta?
R – O Setor de atendimento do Projeto Papai Noel dos Correios, na Agência Central dos Correios, centro da Capital.

IS - Até quando serão recebidas as cartas?
R – A nossa idéia é trabalhar com as cartas recebidas até 12 de dezembro. A partir dessa data a equipe deve trabalhar os presentes (embalagem, etiquetamento, ordenamento etc.), visando à entrega.

IS - Telefone de Contato?
R – Qualquer contato pode ser feito por meios dos telefones: 2107-6118 ou 2107-6104 – Assessoria de Comunicação Social.



* Entrevista originalmente postada no Portal Inclusão Social
Fotos: Elaine Mesoli e
Andréa Carla Oliveira

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

EXTRA! EXTRA! OS JORNAIS ESTÃO À VENDA!

Em sua busca desenfreada por anunciantes jornais estampam em
suas manchetes a pergunta: Quem paga mais?


Quinta-feira, 20 de novembro de 2008. Abro um dos jornais diários da cidade em que moro e o que ele contém? Notícias? Sim, lógico. É para isso que um jornal serve, para nos noticiar o que está acontecendo no mundo. Sim outra vez. Aliás, posso ficar aqui dizendo sim a uma centena de conceitos e prováveis respostas que você, leitor, também me daria. Mas na verdade o que encontrei foi uma série de anúncios. Era tanta propaganda que a notícia ficava espremidinha ali no canto. E tinha também uma página inteirinha com uma matéria com um artista global contando com que idade ele deu seu primeiro beijo. Na página política um relato sobre a vitória do Barack Obama para presidente dos Estados Unidos e na página de cultura uma prévia da agenda cultural do fim de semana.
Mas e informação sobre o que acontecia na cidade e na circunvizinhança? Quase nada. Três ou quatro notinhas sem importância de rixas políticas e assassinatos.
Mas qual o critério que determina que aquilo que está escrito deveria ser notícia? Qual o impacto do teor daquelas letrinhas em sua vida imediata ou até mesmo em um futuro próximo? Bem, isso é individual e só você poderá responder.
Um critério que seja bastante objetivo do que deve ser ou não notícia é o que todo jornalista anseia e vários teóricos já queimaram suas pestanas e embranqueceram seus cabelos procurando definir. Tarefa árdua.
A informação que os veículos de comunicação nos passam é o meio pelo qual percebemos o mundo que nos rodeia, de onde extraímos pedaços desse mundo e juntando a todos tentaremos nortear e conduzir de nossas vidas. O jornalismo é parte essencial do processo democrático. Porém, além de sabermos o que acontece no mundo e que tem pouca relevância em seu cotidiano, não deveríamos saber mais a respeito do que está próximo? Em vez de sabermos somente a agenda de shows e sobre o Evafest não deveríamos saber mais sobre a produção de cultura no Estado? Quem são nossos artistas? O que eles estão fazendo?Na verdade os critérios estão mais determinados pelo pagamento das contas do jornal. E não podemos atacar os brios de quem nos paga. Sendo assim, o que é veiculado hoje é exatamente aquilo que não ofenderá quem empregou cem mil reais na veiculação de uma propaganda que deu para pagar todas as contas do jornal naquele mês. O jornalismo de opinião, tão ligado aos moldes iniciais, esse deu lugar ao mercadológico. E os jornais circulantes apenas estampam em suas manchetes, de acordo com a tiragem a pergunta chave do capitalismo: Quem paga mais?

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Cartão Postal de Salvador


Assim que entramos em Salvador, se formos de ônibus, uma das imagens é esta.
A Salvador de Ondina, do Farol da Barra, do Elevador Lacerda e Mercado Modelo estão bem distantes do que vemos aqui.
O inchaço populacional e a falta de um política habitacional é que leva a população a construir de forma desordenada suas casas pelos morros da cidade.
À margem da sociedade, suas casas vão crescendo e, quando não existe mais espaço físico, elas crescem verticalmente para seus filhos que cresceram e nem bem saíram da adolescência também já possuem outros filhos.
População que sai de casa ainda de madrugada e chega em suas casas quando já anoiteceu em sua luta diária pelo próprio sustento.
Gente que corre, sorri, ama, se diverte e verte lágrimas. Gente solidária que sobe e desce a ladeira cantarolando um sambinha da moda. Que faz do limão uma deliciosa limonada.
Gente que precisa de mais atenção dos governantes. Que lhes seja disponibilizado mais acesso à cultura, à educação e ao trabalho.
Apesar de todo esse crescimento desordenado é possível enxergar uma espécie de ordem.
E a ordem é: SER FELIZ!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

POLÍTICAS DE COTAS É APROVADA NA UFS

Acompanhando mais de 30 universidades que já adotaram a política de cotas, a Universidade Federal de Sergipe - UFS aprovou em reunião com o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão – CONEPE, no último dia 13, o Programa de Ações Afirmativas – Paafna Instituição já para o Processo Seletivo Seriado do ano de 2010.
A partir de 2010, 50% das vagas serão exclusivamente destinadas para estudantes oriundos de escolas públicas, desde que estes tenham cursado quatro anos do Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio em escolas da rede pública de ensino. Dentre estas vagas, 70% serão para os auto-declarados negros, índios e pardos, o que resultará em 35% do total de vagas da Instituição. Além disso, uma vaga de cada curso será destinada aos portadores de necessidades especiais.
A política de cotas vem sendo adotada no Brasil já há 05 anos com a implantação, inicialmente, na Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ e desde então é alvo de polêmicas discussões.
O projeto de Lei nº3627/2004 institui um Sistema Especial de Reserva de Vagas e o Ministério da Educação e a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial serão os responsáveis por acompanhar e avaliar este sistema. Após dez anos da implantação será feita uma revisão deste sistema para sugerir ajustes e modificações.
O Brasil comprometeu-se na aplicação de políticas afirmativas na Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, que foi criada pela Organização das Nações Unidas em 1966, e da qual o Brasil é signatário desde 1969, como um modo de promover a igualdade e inclusão de grupos étnicos e de baixa renda excluídos do processo de desenvolvimento social.
A discussão que envolve o tema é acirrada pelas opiniões divergentes onde grupos que são contra afirmam ser este um modelo copiado dos Estados Unidos, que tem na sua sociedade um histórico de apartheid claramente definido, ao contrário da sociedade brasileira em que as raças são misturadas e não existe divisão racial e sim, preconceito. Dizem também que essa política de cotas é inconstitucional porque “cria distinção entre brasileiros” e que, por si só, essa política é altamente excludente e discriminatória e um atestado de incapacidade intelectual, uma vez que não querem a ampla concorrência.
Por sua vez, o grupo dos defensores diz que é um meio de atuar contra desigualdades e um resgate histórico da exclusão que estas minorias étnicas sempre sofreram; uma espécie de política compensatória para reparar o mal cometido nos mais de quinhentos anos de colonização portuguesa e que é o reconhecimento da sociedade da existência de uma população discriminada socialmente por sua cor e renda, pois sabe-se que os negros têm de possuir o dobro da escolaridade para ganhar o mesmo que uma pessoa branca no mercado de trabalho.
Esse profundo debate traz no em seu interior o que é necessário para que, nesse país, haja uma melhor conduta de nossos representantes e da população em geral, especialmente no que se refere a educação, que para todos tem um baixo nível, independente de ser branco ou negro. Educação de qualidade, infelizmente, só tem acesso quem tem dinheiro para pagar por ela, o que gera outra discussão que é o clientelismo na educação, mas este tema fica para um outro debate.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Sodoma ou tédio?

Recalcados, beatas, freiras, protestantes, assexuados, conservadores do meu Brasil varonil parem de arder na fogueira de suas entranhas mentais e dediquem-se a ler 120 Dias de Sodoma ou a Escola da Libertinagem. Um verdadeiro libelo contra a falsa moral vigente em nossa sociedade tacanha e sem o mínimo de imaginação. Marquês de Sade rompe com os limites do humor, da invenção e da consumação da carne. Tal qual um Aristóteles da luxúria, elabora um sistema de engenhosidade impressionante. Mas o que importa é a maestria com que é descrita cada cena. Sabores, cheiros, texturas irrompem cérebro adentro e o leitor sugado por um vórtice que beira o terror e o surreal é presenteado com uma experiência inesquecível. Isto numa época em que se louvava ainda as fantasias leves, a música suave e a vida melíflua dos abastados.
Niilismo. Ódio. Prazer ilimitado. O corpo e o sexo como veículos perfeitos sem a barreira da hipocrisia, do sintoma da paixão, da suposta pureza do amor, apenas máquinas perfeitas para um prazer que beira o inexplicável. Submissão. Bondage. Coprofagia. Spanking. Gerentofilia. Sufocação. Todas as combinações e variações possíveis que o isolamento pode fortalecer. Sem lei. Sem Deus. Sem Demônio. Apenas a fome luxuriosa imperando. Bestas sedentas, vorazes pelo melhor do pior. Amputação. Acrotomofilia. Submissão. Cloacas perfeitas para experiências mais do que nauseabundas e fascinantes.
Paro por aqui este pequeno louvor ao mestre Sade. Pois arrepios animalescos percorrem a carne quase morta. Rastejo ao meu leito fétido, duro e estreito e tento esquecer de mais um dia.

Fúria.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Nova Lei de Estágio é sancionada e estabelece que 10% das vagas deverão ser para portadores de deficiência

O Diário Oficial da União publica nesta sexta, dia 26, a nova Lei que define as relações de estágio e assegura 10% das vagas às pessoas portadoras de algum tipo de deficiência.
Na nova redação fica definido que, a partir de agora, os estagiários com contrato superior ou igual a um ano têm direito a 30 dias de recesso que podem ser gozados, preferencialmente, em seu período de férias escolar e em caso de o estagiário receber algum tipo de remuneração esse período será também remunerado. Se o tempo de contrato for inferior a esse período o estudante terá o mesmo direito de forma proporcional.
Além de empresas e órgãos de administração pública , autárquica e fundacional , com a nova Lei, também os profissionais liberais de nível superior registrados em seus conselhos de fiscalização profissional podem oferecer estágio.
O tempo de atividade em estágio não poderá ultrapassar 20 horas semanais no caso de estudantes de ensino fundamental, educação de jovens e adultos e especial e 30 horas semanais para estudantes de ensino superior ou médio.
A Lei 11.788 estabelece ainda que o estágio deverá ser acompanhado por um professor para que o estagiário possa ser avaliado e que este faça um relatório de suas atividades a cada seis meses.
Para que não se torne uma forma de substituição de mão de obra qualificada fica também estabelecido um teto para a contratação: empresas com até 5 funcionários, 1 estagiário; de 6 a 10 até 2 estagiários; de 11 a 25 até 5 estagiários e acima de 25 até 20% de estagiários.
Existe também algo que pode passar despercebido, mas é de muita importância, o artigo 15, que diz: "A manutenção de estagiários em desconformidade com esta Lei caracteriza vínculo de emprego do educando com a parte concedente do estágio para todos os fins da legislação trabalhista e previdenciária."
Vitória dos estudantes na luta em favor de seus direitos e da sociedade que pode melhor capacitar seus profissionais.

domingo, 21 de setembro de 2008

Vocês já ouviram falar no Contas Abertas ?
Calma! Não se preocupem. Não se trata de nenhum site que abre sua abonadíssima conta do exterior para apreciação pública.
Faz melhor, apresenta semanalmente os gastos do dinheiro público.
É uma Ong que fiscaliza, acompanha e divulga as execuções orçamentária, financeira e contábil de quaisquer órgãos públicos.
E essa semana vem com um gasto absolutamente necessário para qualquer mortal: o Gabinete da Vice-Presidência reservou em seu orçamento cerca de 29 mil para compra de (pasmem!) 108 ternos, 196 camisas, 71 cintos, 112 sapatos, 212 meias e 103 metros de tecidos estampados. Um regalo para quem acabou de passar por uma cirurgia no abdome.
Claro que é imprescindível para uma pessoa ter tantos ítens em seu guarda roupa. O único problema é que enquanto ele possui um closet tão recheado alguns de seus compatriotas sequer têm o que comer em suas mesas e é preso por roubar até mesmo uma galinha no quintal de alguém.
Não estou querendo aqui justificar o roubo, seja ele de qualquer tipo, mas é um direito do cidadão se alimentar já que muitas vezes nem o bolsa-família recebem.
E esses ternos do vice-presidente quantas famílias daria pra alimentar e vestir em um único mês? É necessidade básica do Sr. José Alencar ter mais de uma centena de ternos em seu armário uma vez que o salário que ele ganha é pago por nós cidadãos brasileiros, alguns até vivendo abaixo da linha da pobreza, e não deve cobrir esse gasto pessoal.
Evidente também que os 32 milhões de brasileiros que passam fome no Brasil concordam com essa compra do gabinete da vice-presidência. Até ajudam a pagar!

Clique aqui e veja todas as notas de empenho do orçamento.
Fonte: Contas Abertas

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Não foi feliz.

Noite de insônia. Ligo a TV e está passando o Programa do Jô. Os entrevistados são Mauro Mendonça Filho, conhecido diretor global e teatral, e Bruce Gomlevsky que interpreta Renato Russo na peça de mesmo nome, um monólogo musical, por assim dizer.
Jô, mostrando intimidade diz logo: "Pra mim será sempre Maurinho", e continua: " Primeira vez que você dirige?"
Maurinho responde : "Não, é a sexta".
Para quem demonstra tamanha intimidade este é um erro primário pessoal e profissional.
Mauro Mendonça Filho tem em seu currículo de direção teatral peças como A Megera Domada, Deus e Amo-te. Na TV responde por Memorial de Maria Moura, A Grande Família e Toma Lá Dá Cá e possui até mesmo um prêmio no Festival Internacional de Nova Iorque por Memórias de um Sargento de Milícias.
Com Renato Russo ganhou o 19º Prêmio Shell de melhor diretor.


Assista a um trecho da peça quando esteve em cartaz em Blumenau



Já que o prório Jô Soares não sabia desses dados, cadê a equipe de jornalistas por trás dele para apurar os dados básicos dos entrevistados?
E se esta equipe dá os dados prontos para o Jô, por que ele não lê?
Cadê o padrão de excelência global?
Certamente sabem que o público que assiste o Jô Soares não é a massa populacional que se diverte com as piadas e personagens sem graça do Zorra Total.
Ah, e para arrematar esse programa o Jô, que fala diversas línguas, não expressou muito bem sua língua materna e mandou: "A gente tamos terminando mais um programa do Jô!".
É, Jô, você deveria consultar mais vezes a gramática. Esse fim de programa não foi feliz.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Com vocês, meu doce Fúria.


Irrequieto, marginal, underground. Assim podemos definí-lo?
Não, eu não ouso me delimitar à palavras. Descrevê-lo é difícil.
Artista plástico, trabalha com o que estamos acostumados a descartar através de nosso lixo e que ele transforma em colagens totalmente abstratas, assim como sua personalidade. No entanto, no dia a dia, trabalha em um conhecido sebo da cidade. Lugar melhor para ele não poderia haver.
Os anos passam e ele permanece igual. Já perdi a conta do tempo que nos conhecemos (e prefiro não contar pra não denunciar em minha tola vaidade os anos já vividos) e ele sempre percebendo além do declarado.
Culto ao extremo, apesar de ser autodidata, ele sabe de cor quase todos os livros e autores que já leu. E me dá um baile quando começa a despejar em minha lânguida mente entorpecida toda a sua verborragia intelectual.
Autodidata intelectual? Sim, nunca frequentou uma universidade, porém é digno de uma cátedra em literatura e algumas outras áreas.
Ah, peraí! ainda não disse o nome dessa figura não é?
FÚRIA.
Pelo menos é assim como gosta de ser chamado. Personalidade conhecidíssima no submundo e no gran monde. Todos que o conhecem só tem coisas boas a falar. Por tudo isso e mais muita coisa que não dá pra colocar aqui, foi que o chamei pra fazer uma enorme colaboração neste humilde blog. Espero que gostem e sintam penetrar em suas mentes um pouco do que ele tem a dizer. Interajam, opinem, critiquem.
Quanto a mim, apenas me utilizarei dele. Nada tenho pra dar em troca a não ser reverenciá-lo.
Ahhh, que mente a minha! Já ia esquecendo de dizer. Ele tem um leve tartamudear (deve ser resquícios de timidez e introspecção) e uma voz sexy.
Terrivelmente sexy.
Com vocês, meu doce Furia.

domingo, 31 de agosto de 2008

Madonna, mito da indústria cultural

A próxima vinda de Madonna ao Brasil fez com que eu lembrasse de um ensaio sobre um livro feito há tempos atrás que coloco aqui para apreciação (ou não) de quem se dispuser a ler o tópico inteiro.

"Falar sobre Madonna parece ser tarefa fácil. Figura conhecida na mídia mundial, seu comportamento polêmico é sempre alvo de críticas, tanto favoráveis quanto desfavoráveis, e influência no comportamento social de jovens em todo o mundo desde os anos 80 do século passado.
Foi pensando nisso que Douglas Kellner decidiu levar esse fenômeno cultural da mídia para o campo acadêmico e estudá-lo no livro A Cultura da Mídia. E com total imparcialidade expõe de forma clara e objetiva todo o contexto do surgimento de Madonna, saindo dos conceitos “pró ou contra” e interpretando adequadamente sua obra, sua imagem e os efeitos que geraram.
Não foi por acaso que Madonna despertou seu interesse, fazendo com que dedicasse sua atenção à esse estudo. Madonna é um ídolo e, como tal, é formadora de opiniões. Basta que lance um novo trabalho e logo será seguida, reverenciada e principalmente criticada. Suas apresentações reúnem milhares de fãs em todo o mundo. E como estudioso do comportamento humano, Kellner se sentiu atraído pelos motivos e circunstâncias em que isso vem ocorrendo.
Em seu texto, Kellner mostra a influência de Madonna na cultura da sociedade e na moda, causando novos padrões comportamentais e identidades ao expressar sua rebeldia através de suas atitudes e roupas extravagantes, no intuito de subverter e ultrapassar os limites impostos pelo conservadorismo imperante, o escritor demonstra que Madonna conquista sua fama experimentando e construindo para si identidades diferentes e transformando-se sempre de acordo com as mudanças culturais que estavam acontecendo em todo o mundo.
Seu olhar científico percebe as estratégias de marketing feitas pela assessoria de Madonna, que produzia suas imagens e a cercava de publicidade, caracterizando-a como um sucesso da propaganda e estratégias de produção e merchadising.
Douglas Kellner divide a “estrela” Madonna em três diferentes e principais fases com toda a sua produção cultural e o impacto produzido no público entre a década de 80 e 90.
Na primeira, ela se mostra com uma imagem de forte apelo sexual conforme mostra o estudo dos primeiros clipes de Madonna feito por Kellner onde ela se apresenta como um objeto sexual, com uma vestimenta desafiadora do convencionalismo, legitimando sua personalidade irreverente e derrubando tabus nas relações da sexualidade inter-raciais, e aparecendo como uma garota fútil e “transgressora das normas estabelecidas”.
Na segunda fase ele retrata Madonna de uma maneira mais tradicional e romântica, convidando as mulheres a não se submeterem aos padrões masculinos que exploram e fantasiam as mulheres como objetos sexuais, ao mesmo tempo em que reafirma a posição feminina diante dos homens, porém sem abandonar a postura erótica. Tudo isso completamente dentro de uma ótica modernista.
Na terceira fase, Madonna segue em suas contradições e sua postura revolucionária sexual ultrapassando as fronteiras do sexualmente permissível em seus clipes e turnês. Já agora se pode notar que ela evoluiu de jovem irrequieta e provocante à uma mulher madura que sabe o que quer para satisfazer seus desejos.
A análise de Kellner é ainda mais aprofundada apresentando um texto em que insere os clipes de Madonna entre os conceitos modernista e pós-modernista, porém apenas como mais uma das estratégias de marketing de Madonna.
Modernista porque quer chocar o público com sua atuação e as personagens que permitem múltiplas interpretações, e pós-moderna somente em alguns sentidos, quando é muito difícil apreender suas reais intenções.
O texto de Kellner confirma o estereótipo que todos possuem de Madonna como uma garota fácil, materialista e sedutora, porém não como sua personalidade particular, mas como uma personagem.
É uma leitura muito agradável, não nos lembra que é um ensaio voltado para a comunidade acadêmica, possui linguagem direta e nos leva a conhecer um pouco mais sobre a sua obra fora do ponto de vista biográfico voltado aos fãs, como comumente vemos em bancas de jornal, pois sai do campo crítico ou promocional para entrar no de um observador que não tem sobre si o fato de ser ou não seu fã.
Faz-nos perceber que os atos transgressores de Madonna são calculados para abalar os conceitos morais vigentes e mostrar que a mulher é dona de sua própria vida e construtora de sua própria identidade.
Kellner termina sua obra de um modo brilhante e enfático desnudando diante de nossos olhos uma Madonna que não criou um estereótipo vulgar e sem sentido apenas com a intenção de chocar o público, mas de fazer com que se repense as convenções, cruzando limites e libertando-se das amarras do socialmente aceitável. Coloca-a ainda como extremamente contraditória, fato que permite muitas análises para apreensão desse fenômeno desafiador chamado Madonna.
É uma boa leitura, cativante sem ser pernóstica, e para quem nunca viu nenhum dos clipes de Madonna, as descrições que são feitas sobre eles nos deixa com vontade de ir em busca para ver se é verdadeira sua análise. É recomendável para fãs e para quem não lhe tem nenhuma apreciação também, para que possa percebê-la sobre uma nova ótica.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Uma pérola de inteligência!!!!

Avaliação na faculdade, curso de jornalismo.
Uma das questões era definir e explicar o que é "estandardização".
A aluna, deveras segura de que sabia o significado da palavra e o que queria dizer no contexto situado, responde:
"Estandardização é levantar a bandeira da indústria cultural!!!"
Claro que ela estava se portando como porta-estandarte da indústria cultural. E acabou confundindo estandarDização com estandarTização. Na verdade apenas a troca de uma letrinha insignificante, mas que faz uma diferença...

Gente!!!! E ainda estamos discutindo sobre a obrigatoriedade do diploma!!
Se na faculdade, em uma avaliação onde nos textos estudados essa palavra era inúmeras vezes repetida e explicada acontece isso, imagina se uma pessoa sem nenhuma formação se tornar jornalista. Onde a qualidade dos textos para uma informação mais apurada e embasada? Onde o direito da sociedade de que sejam pessoas capacitadas intelectualmente que disponibilizem o acesso à informação e à formação de opinião?

Pois é, meu país, vamos encampar essa luta! Ela não é apenas de nós, jornalistas, mas de cada um dos mais de 180 milhões de habitantes. Este é um direito conquistado a duras penas pela sociedade, portanto, exijam que ele seja cumprido!

domingo, 10 de agosto de 2008

JORNALISMO CULTURAL: UM JORNALISMO VOLTADO PARA O MERCADO


São vários os debates a respeito do jornalismo cultural. Quase todos os envolvidos se referem a uma crise entre o que ele deveria ser e o que está se tornando. Alguns, como J. S. Faro, interpretam o jornalismo feito atualmente nos cadernos de cultura como algo mais complexo e passível de reflexão e análise. Já outros, como Daniel Piza e Herom Vargas, falam constantemente em sintomas de uma crise de identidade onde os objetos da cultura foram alterados pelas tendências do mercado.
O que ocorre no jornalismo cultural de um país capitalista e globalizado como o nosso, com o acesso cada vez maior ao que acontece no mundo, a pressa e a necessidade de noticiar os acontecimentos, é que ele se fundiu à propaganda, afastando-se de seu papel que é, não só anunciar, mas comentar as obras lançadas em todos os segmentos e refletir sobre o contexto em que se dá o lançamento e o comportamento do público consumidor. Olavo de Carvalho nesse sentido é ainda mais taxativo dizendo que o jornalismo cultural aliou-se à propaganda e à política esquerdista utilizando-se de chavões que se sobrepõem à inteligência dos que o consomem.
O jornalismo feito da forma como se fazia há algumas décadas, com ensaios mais longos e reflexivos está cada vez mais segmentado e direcionado a um público mais refinado e com um maior poder aquisitivo. Não se interessa apenas pela tiragem de milhões de exemplares. O que aconteceu para que mudasse, e aqui cito um trecho de Fernando de Barros e Silva na revista Bravo!, é que “a cultura se fragmentou, se diversificou, foi pulverizada em guetos de consumo ou em estilos de vida, todos legitimamente representados nos mercados de bens culturais, mais aquecidos do que nunca”.
A cultura está cada vez mais inserida na sociedade do espetáculo, do consumo imediato, da superficialidade das abordagens, os cadernos culturais, na maioria das vezes, estiveram ligados à difusão da cultura consagrada e em processo de consagração. O jornalismo cultural dos últimos anos é basicamente sinônimo de agenda cultural com a preocupação de divulgar eventos supostamente culturais e as pautas são baseadas em releases das assessorias de imprensa. Em parte isso ocorre devido ao comprometimento com os anunciantes, o que parece dar razão ao que disse um magnata da imprensa inglesa citado pelo jornalista Carlos Brickmann que “Notícia é tudo que se usa para preencher o espaço entre os anúncios”. Essa afirmação podemos trazê-la para o jornalismo cultural contemporâneo e Brickmann vai além ao completar essa frase em o Jornal dos Jornais, a revista da imprensa, dizendo que o “jornalista é o sujeito que separa o joio do trigo, e publica o joio”.
Existem avaliações como as de que “o jornalismo cultural já foi melhor” e “não existe mais crítica”. A crítica existe, como se pode comprovar, ainda que na mídia segmentada. Se sua qualidade é boa, ou se a atividade jornalística cultural viveu melhores dias, cabe a cada leitor julgar. Hoje, porém, o sujeito cultural da era da cibercultura dispõe de uma larga oferta de websites de jornalismo cultural, quase todos independentes - ou seja, sem ligação com grupos de comunicação – e nessa área que recém começa a se consolidar não se fala em crise.
A discussão mais importante, porém, deve ser a de pensar em mecanismos que façam com que a cultura chegue a todas as camadas da população. Outro aspecto a ser considerado refere-se ao fato de que há um respeitável número de leitores interessados em jornalismo cultural de qualidade e, justamente por isso, os suplementos culturais estão entre as páginas mais lidas dos jornais. Sem esquecer que sempre haverá espaço para quem, com persistência, se dispuser a produzir bons conteúdos.
É verdade que as grandes publicações e autores de outros tempos têm hoje poucos equivalentes, mas também é fato que existem muitos, na área, com forte desejo de enveredar pelo jornalismo cultural. Porém, como ressalta Daniel Piza, os cadernos de cultura ainda são tratados pela grande imprensa como área do jornalismo que desempenha papel quase decorativo, quando, na verdade, sua importância é muito maior do que se imagina. Importância que vai desde a riqueza de temas até a sofisticação dos textos que podem (e devem) chegar aos leitores.
Sérgio Augusto de Andrade analisa o jornalismo cultural de uma forma bastante romântica e saudosista da “melhor tradição de nosso ensaísmo”. Entretanto, ele parece não perceber que houve uma mudança entre o jornalismo que ele fala e o contemporâneo, que utiliza uma linguagem também adaptada a essa nova estrutura mercadológica. E isso deve ser visto como algo inerente à atividade jornalística da era pós moderna.
O jornalismo cultural hoje sofre imensa pressão das assessorias, o que se chama o de serviço ao leitor, e a presença constante desse serviço, com uma cobertura extensiva da programação de transmissão dos eventos tidos como culturais seu endereço, valor do ingresso, horário da sessão, duração do evento etc., em detrimento da profundidade. A crítica limita-se a publicação de resenhas, enviadas por assessores de imprensa. A informação da localização é mais premente do que sua reflexão crítica. Daí a importância e necessidade da cobertura de uma agenda visando apenas o entretenimento e não o desenvolvimento crítico e intelectual do leitor.
Uma rápida aplicação das teorias do agendamento e do enfoque nos permite dizer que muitas vezes o jornalismo cultural trabalha a cultura mais como produto do que como processo cultural. Nesse sentido, vale lembrar que atualmente há uma relação intrincada do jornalismo cultural com a própria indústria cultural.
É interessante notar que com o processo de modernização da sociedade e de sua complexidade, observa-se também a complexidade e especialização dos cadernos culturais, que parecem, assim, atender a diversos gostos e interesses de uma sociedade plural, em um processo de segmentação onde, na prática das redações, assessorias de comunicação e de imprensa, divulgadores, representantes de gravadoras e de patrocinadores disputam a pauta.
Em nossos dias os grandes cadernos vivem sua crise alimentada da falsa noção de que sua importância se encerra na função de serviço, quando na verdade uma matéria jornalística é um produto cultural que se estende além, muito além, da vida de muitos jornais. O jornalismo cultural precisa sair do marasmo, voltar a assuntos que outrora foram importantes. A mesquinharia do mercado e do furo jornalístico não pode sufocar o que torna as páginas interessantes, que é a paixão pela cultura de forma ampla e ilimitada. E para que seja feito um bom jornalismo (não só o cultural) é necessário conhecimento a respeito do que vai ser dito e acima de tudo inteligência e sagacidade para chamar a atenção do leitor.
Existem avaliações como as de que “o jornalismo cultural já foi melhor” e “não existe mais crítica”. A crítica existe, como se pode comprovar, ainda que na mídia segmentada. Se sua qualidade é boa, ou se a atividade jornalística cultural viveu melhores dias, cabe a cada leitor julgar. Hoje, porém, o sujeito cultural da era da cibercultura dispõe de uma larga oferta de websites de jornalismo cultural, quase todos independentes - ou seja, sem ligação com grupos de comunicação – e nessa área que recém começa a se consolidar não se fala em crise.
A discussão mais importante, porém, deve ser a de pensar em mecanismos que façam com que a cultura chegue a todas as camadas da população. Outro aspecto a ser considerado refere-se ao fato de que há um respeitável número de leitores interessados em jornalismo cultural de qualidade e, justamente por isso, os suplementos culturais estão entre as páginas mais lidas dos jornais. Sem esquecer que sempre haverá espaço para quem, com persistência, se dispuser a produzir bons conteúdos.
É verdade que as grandes publicações e autores de outros tempos têm hoje poucos equivalentes, mas também é fato que existem muitos, na área, com forte desejo de enveredar pelo jornalismo cultural. Porém, como ressalta Daniel Piza, os cadernos de cultura ainda são tratados pela grande imprensa como área do jornalismo que desempenha papel quase decorativo, quando, na verdade, sua importância é muito maior do que se imagina. Importância que vai desde a riqueza de temas até a sofisticação dos textos que podem (e devem) chegar aos leitores.
Sérgio Augusto de Andrade analisa o jornalismo cultural de uma forma bastante romântica e saudosista da “melhor tradição de nosso ensaísmo”. Entretanto, ele parece não perceber que houve uma mudança entre o jornalismo que ele fala e o contemporâneo, que utiliza uma linguagem também adaptada a essa nova estrutura mercadológica. E isso deve ser visto como algo inerente à atividade jornalística da era pós moderna.
O jornalismo cultural hoje sofre imensa pressão das assessorias, o que se chama o de serviço ao leitor, e a presença constante desse serviço, com uma cobertura extensiva da programação de transmissão dos eventos tidos como culturais seu endereço, valor do ingresso, horário da sessão, duração do evento etc., em detrimento da profundidade. A crítica limita-se a publicação de resenhas, enviadas por assessores de imprensa. A informação da localização é mais premente do que sua reflexão crítica. Daí a importância e necessidade da cobertura de uma agenda visando apenas o entretenimento e não o desenvolvimento crítico e intelectual do leitor.
Uma rápida aplicação das teorias do agendamento e do enfoque nos permite dizer que muitas vezes o jornalismo cultural trabalha a cultura mais como produto do que como processo cultural. Nesse sentido, vale lembrar que atualmente há uma relação intrincada do jornalismo cultural com a própria indústria cultural.
É interessante notar que com o processo de modernização da sociedade e de sua complexidade, observa-se também a complexidade e especialização dos cadernos culturais, que parecem, assim, atender a diversos gostos e interesses de uma sociedade plural, em um processo de segmentação onde, na prática das redações, assessorias de comunicação e de imprensa, divulgadores, representantes de gravadoras e de patrocinadores disputam a pauta.
Em nossos dias os grandes cadernos vivem sua crise alimentada da falsa noção de que sua importância se encerra na função de serviço, quando na verdade uma matéria jornalística é um produto cultural que se estende além, muito além, da vida de muitos jornais. O jornalismo cultural precisa sair do marasmo, voltar a assuntos que outrora foram importantes. A mesquinharia do mercado e do furo jornalístico não pode sufocar o que torna as páginas interessantes, que é a paixão pela cultura de forma ampla e ilimitada. E para que seja feito um bom jornalismo (não só o cultural) é necessário conhecimento a respeito do que vai ser dito e acima de tudo inteligência e sagacidade para chamar a atenção do leitor.

domingo, 3 de agosto de 2008

“O que queremos é ocupar nosso espaço e que, em vez de teoria, se parta para a prática”

O dia 25 de julho amanheceu ensolarado. Era o que precisavam todos os trabalhadores rurais para comemorar seu dia numa caminhada organizada pelo MST da entrada da cidade, na BR 235, até o centro, na Pça. Gal. Valadão. Essa caminhada faz parte de um programa nacional do MST em comemoração ao dia do trabalhador rural.

Com um atraso de três horas em relação ao horário marcado para o início, 8 horas da manhã, devido à espera dos ônibus que vinham de todo o Estado e até mesmo da Bahia, a passeata se deu de forma pacífica e alegre com todas as pessoas rindo e brincando.
Traziam faixas representando os pedidos que seriam entregues ao superintendente do INCRA, Jorge Tadeu Jatobá, que estava presente ao evento. Também compareceram o deputado Jackson Barreto e a secretária de Inclusão Social, Ana Lúcia.
Olhando de cima parecia um mar vermelho com suas camisetas e bandeiras no mesmo tom. “Cada família assentada envia um representante” diz Marcos Roberto, 27 anos, que reside com sua família em Jacaré Curituba, o maior assentamento da América Latina que fica entre Poço Redondo e Canindé do São Francisco, distante 213km da capital, “a família que não envia ninguém tem de contribuir com dez reais para ajudar na alimentação daqueles que vieram”, segue dizendo Marcos Roberto.

Símbolo de um movimento popular organizado, o MST faz dessa cobrança um incentivo para que todos participem, já que as famílias raramente querem desembolsar esse valor. Parece funcionar, já que havia cerca de 12 mil pessoas na manifestação.
Homens, mulheres e crianças, todos estavam com um sorriso em seus rostos, apesar do cansaço, reivindicando e reconhecendo seu direito de cidadãos de cobrar e exigir que lhes seja proporcionado um direito fundamental ao cidadão: o direito à moradia, como consta no art. 7º inciso IV da Constituição Federal e confiantes de que as 40 áreas vistoriadas, decretadas ou para emissão de posse sairão logo do papel para que eles conquistem seu espaço e possam caminhas com as próprias pernas. Francisco de Assis dos Santos, 31 anos, também morador do Jacaré Curituba, disse que “Para caminharmos sozinhos lá no assentamento o que precisa é dar continuidade às obras de irrigação que foram iniciadas em 2005. Estamos lá há 12 anos e desde que começaram essa obra com cinco setores implantados, apenas foi feito parte de um deles, o setor 0”
Essa região que fica no Alto Sertão. Sofre bastante com a seca fora da estação das chuvas e a irrigação é o fator principal para que os pequenos agricultores da região possam plantar e colher. De Assis, como prefere ser chamado, ainda reclama: “Se a empresa responsável não pode ou não quer terminar a obra que passe para quem queira e possa fazer” e é corroborado por Marcos que diz: “O que queremos é ocupar nosso espaço e que, em vez de teoria, se parta para a prática”.
Cansados, mas esperançosos de um dia vir a ter o tão sonhado pedaço de chão, às 16:20h todos os manifestantes terminaram a caminhada cantando o hino do MST com os braços erguidos e em uníssono: “o amanhã pertence a nós trabalhadores!”
O coordenador estadual do MST, João Daniel Somariva, após o término da passeata, concordou em ceder ao ISocial uma entrevista comentando os fatos que estão ocorrendo no cenário nacional, como o processo de criminalização, e também a situação de nosso Estado com relação à Reforma Agrária. Nessa entrevista o que buscamos foi trazer para o cenário e dar voz ao grupo dos trabalhadores rurais que, por muito tempo, esteve à margem, mesmo dele dependendo a sociedade para a sobrevivência e tentar incluí-lo socialmente.

Elaine Mesoli - Como você vê a abordagem da mídia em relação ao MST?
João Daniel - A mídia brasileira faz parte da classe dominante e que tem o MST como um inimigo porque lutamos pela democratização da terra, dentre outras reivindicações. Então, o grande partido da elite brasileira que comanda as idéias que fazem a opinião pública é ligado aos setores mais conservadores da sociedade.

EM - A mídia legitima o processo de criminalização que o MST vêm passando?
JD - Todos os movimentos na história de nosso país, que se proporam a fazer mudanças foram criminalizados e esmagados, como Canudos, a Guerra do Contestado, as Ligas Camponesas, a luta dos índios pela sua terra. Assim, isso não nos surpreende. O que nos preocupa é o Ministério Público porque ele assumiu uma posição totalmente contraditória com o seu papel, assumindo um compromisso de classe. Com a classe dos grandes empresários do agronegócio. E isso é uma posição que, para nós, é atrasadíssima e reacionária e nós esperamos que a sociedade organizada possa compreender do que está por trás essas questões no caso em especial do Rio Grande do Sul, mas também de vários outros Estados que também têm essas ações. Nós queremos que isso seja debatido na sociedade e acreditamos na derrota daqueles que querem conservar o poder sem a reivindicação de mudanças pelas minorias.
EM - Esses acontecidos no Rio Grande do Sul pode ser alguma manobra política , já que a maioria dos candidatos faz parte do grupo dos latifundiários?
JD - Não pensamos que tenha a ver com eleições, mas com uma situação que ocorre em alguns Estados. No caso do Rio Grande do Sul a luta pela terra ficou acirrada porque são terras boas e muito desenvolvidas. Desta forma, o agronegócio e as empresas capitalistas, assim como os governos de Antonio Brito, Germano Rigotto e Yeda Crusius, que representam esse grupo monopolizador da terra, colocam o Estado à disposição deles e das multinacionais de fomento. Por isso a luta no Rio Grande do Sul ficou dessa forma, em um constante pé de guerra. Os setores conservadores do campo continuam tendo influência através da mídia e do dinheiro e controlando a polícia. A Brigada Militar do RS, não raras vezes, vai aos acampamentos ameaçando e despejando e o preocupante é que agora possuem o aval do Ministério Público!
EM - A decisão do juiz do Pará que condenou o MST a pagar um montante de R$ 5,2 milhões pelo fechamento da rodovia foi considerada pelo MST mais um ato representativo do processo de criminalização?
JD - Sim, porque nossa luta no Estado do Pará é para resgatar as terras utilizadas pelas grandes empresas. A Vale do Rio Doce, depois que foi privatizada por Fernando Henrique Cardoso, passou a utilizar todos os recursos naturais existentes sem nenhum retorno para sociedade, as pessoas naquela região vivem miseravelmente, o desmatamento e a destruição do meio ambiente pela companhia atingem níveis alarmantes, sem nenhum controle por parte do Estado, que parece estar conivente, mesmo que a governadora do Estado, Ana Júlia, tenha uma origem trabalhadora, a estrutura continua a mesma. E, quanto ao governo federal, nós esperávamos uma posição mais firme da parte do Presidente Lula com relação a isso. Então, essa luta encampada nacionalmente é para apurar e auditorar o processo que a privatizou e conseguir sua reestatização. Nós iremos contestar a decisão desse juiz no Pará. Legalmente podemos perder, mas a Vale nunca irá receber e a luta continuará.

EM - Alguns integrantes do MST em manifestações agem de forma violenta e com atos de vandalismo. Que atitude o MST toma quando essas pessoas são identificadas?
JD - Na verdade o grande problema é que alguns atos que aparecem na grande mídia são alguns pequenos incidentes. Ninguém quer noticiar uma manifestação pacífica, mas se em algum momento houver algum problema entre os que estiverem presentes, acaba que a mídia centraliza esse fato. Então, não há extrapolamento de membros do MST, há situações em que ocorrem incidentes, até pela forma como somos recebidos. Existem também pessoas que não fazem parte do movimento e que acompanham a manifestação e em algum momento fazem baderna, com essas pessoas nós não podemos fazer nada porque não temos controle, mas quanto aos integrantes, se cometerem algum tipo de violência, que sejam legalmente punidos.

EM - Alguns trabalhadores que são assentados após algum tempo vendem estas terras. Existe algum controle para que isso não torne a ocorrer?
JD - Na verdade toda família assentada passa por um processo de cadastramento nacional pelo INCRA(Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). Segundo estudos da FAL (Força América Latina), dentro da situação humana, em um assentamento, bem como em um conjunto urbano, há uma normalidade nos primeiros cinco anos e uma saída de 20% daquela população. Nós temos uma avaliação de dados publicados pela ONU (Organização das Nações Unidas), que estão abaixo dessa percentagem. Quem sai do acampamento não pode vender o lote. Se houver a venda o INCRA pode retirar legalmente e a próxima família a ser colocada no local é escolhida pela comunidade dentro do cadastro. Em Sergipe temos, por exemplo, o assentamento de Santana dos Frades que é o primeiro assentamento do Estado e data de 1985. Lá existem 92 famílias e nenhuma saiu daquela área; já em Barra da Onça, outro assentamento em Poço Redondo, saiu 40%, mas analisando porque isso ocorreu percebemos que o acampamento foi legalizado em 1986 e de 1987 até 1991 essa região passou por um ciclo de poucas chuvas e o período político com os governos de Collor, Itamar e Fernando Henrique foram muito ruins. O de Itamar nem tanto, mas os demais não proporcionaram nenhuma condição habitacional e de crédito. Assim, é normal que numa situação de seca, falta de água para trabalhar e estrutura isso ocorra. As famílias que permaneceram lá estão em ótimas condições de vida entre os pequenos agricultores da região do alto sertão. Inclusive existe uma fábrica de laticínios que industrializa cerca de 123 mil litros de leite diariamente. Esse problema da venda de lote é por falta de controle dos governos estaduais e federal porque uma família só pode entrar com autorização do INCRA.

EM - Aqui no Estado o superintendente do INCRA, Jorge Tadeu Jatobá, diz que o governo demonstra compromisso com a Reforma Agrária. O que você tem a dizer sobre isso?
JD - No INCRA existe muitos problemas, estadual e nacionalmente, a grande questão é quanto aos projetos que estamos implantando em nosso país, onde a agricultura serve para exportação para garantir que tenhamos dólares para pagar juros, serviços e dívidas pública e privada de títulos que estão no exterior e são pagos através da exportação. O governo FHC aprovou uma lei criada pelo deputado federal do PSDB, Antônio Kandir, que isenta de impostos os produtos da exportação, nos últimos 4 anos além dessa isenção, o governo federal pagou em subvenção R$ 7 milhões em dinheiro subsidiado e adiantado para quem exporta. O que é um absurdo. Então, temos um judiciário conservador, um projeto de agricultura voltada para exportação e um projeto de Reforma Agrária que está como política compensatória para resolução de conflitos. Nós não temos um programa de Reforma Agrária, o mais recente foi do governo José Sarney em 1985 e não foi a frente porque os setores conservadores dentro e fora do governo impediram; agora no governo Lula elaboramos outro plano que ficou muito aquém do esperado pelos movimentos e, ainda assim, não foi implantado.A Reforma Agrária tem um problema, ela depende da sociedade brasileira e sua correlação com a luta e a força mobilizatória para que avance. No Estado não podemos dizer que o INCRA não tem vontade, não tem decisão. Entretanto, faltam recursos humanos, dinheiro, estrutura e equipamentos para poder avançar ainda mais. A legislação para avaliar uma fazenda de acordo com seu índice de produtividade que temos ainda é da época da ditadura e é através dele que qualquer fazenda justifica que é produtiva, mesmo sem gerar empregos e destruindo o meio ambiente. A nossa agricultura evoluiu e se modernizou, não parou em 1984.

EM - O MST é símbolo de uma luta popular organizada. Esse é um dos motivos para que as elites dominantes o caracterizem como um movimento de guerrilha?
JD - A elite brasileira nos compara com as FARC, o Sendero, o ETA e com qualquer grupo armado que não tenha apoio da sociedade e é uma forma de tentar desgastar nossa imagem, para nós esse discurso é normal. Ainda bem que a sociedade não aceita essa comparação, tanto que nos está apoiando. Esta torna-se, portanto, uma luta política que sempre terá enfrentamentos políticos e ideológicos.

EM - Como estão os projetos de Reforma Agrária em nosso Estado?
JD - Somos 8 mil famílias assentadas e 14 mil esperando em acampamentos. Esperando, lutando, plantando e despejadas. Temos cerca de 40 áreas vistoriadas, decretadas ou para emitir posse, contando com essas do alto sertão. O problema é que o processo é lento. Áreas pendentes judicialmente ou com falta de documentação temos cerca de 50.

EM - Essas áreas servirão para assentar quantas famílias?
JD - Se essas 40 áreas forem resolvidas assentaríamos entre 7 e 8 mil famílias

EM - Em comparação com o cenário nacional como está Sergipe com relação à Reforma Agrária?
JD - Por conta do governo do Estado estamos em melhores condições porque temos um convênio do governo com o INCRA. O que possibilita um repasse de dinheiro para que o governo compre terras para desapropriação. Terras improdutivas.
EM - O que o trabalhador rural tem a comemorar em seu dia, 25 de julho?
JD - Nossa grande comemoração é a luta conquistada. Para nós não é apenas a conquista da terra, da educação, do crédito. É a conquista de uma nova consciência de que a classe rural que foi desprezada e não teve acesso aos meios de produção, à educação, cultura e lazer. Esses trabalhadores começam a se constituir como classe e a compreender sua força e se formar enquanto identidade de classe.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

A mulher que lê







Um casal sai de férias para um hotel fazenda.
O homem gosta de pescar e a mulher gosta de ler.
Uma manhã, o marido volta de horas de pescaria e resolve tirar uma soneca.
Apesar de não conhecer bem o lago, a mulher decide pegar o barco do marido e ler no lago.
Ela navega um pouco, ancora e continua lendo seu livro.
Chega um guardião do parque em seu barco, pára ao lado da mulher e fala:
- Bom dia, madame. O que está fazendo?
- Lendo um livro - responde, pensando: será que não é óbvio?
- A senhora está em uma área restrita, em que pesca é proibida - informa.
- Sinto muito, tenente, mas não estou pescando; estou lendo.
- Sim, mas com todo o equipamento de pesca. Pelo que sei, a senhora pode começar a qualquer momento. Se não sair daí imediatamente, terei de multá-la e processá-la.
- Se o senhor fizer isso, terei de acusá-lo de assédio sexual.
- Mas eu sequer a toquei! - diz o guardião.
- É verdade, mas o senhor tem todo o equipamento. Pelo que sei, pode começar a qualquer momento.
- Tenha um bom dia, madame - diz ele e vai embora.



MORAL DA HISTÓRIA: NUNCA DISCUTA COM UMA MULHER QUE LÊ. CERTAMENTE ELA PENSA!

terça-feira, 22 de julho de 2008

“O maior anseio do ser humano quando está preso é a liberdade”

(publicado no Inclusão Social)

Estar em cárcere privado e retornar à sociedade não é tarefa fácil. O sistema penitenciário brasileiro é visto como ineficaz no que se refere à recuperação do cidadão na maior parte do país. É através de um trabalho religioso com os detentos e reinserção destes à sociedade que a Pastoral Carcerária em Sergipe, mantida pela Igreja Católica, desenvolve suas ações. Dirigida por Carlos Antônio de Magalhães, mais conhecido como ‘Magal da Pastoral´, a instituição realiza entre os dias 25 e 27 deste mês de abril o Encontro Nordeste da Pastoral. Confira abaixo a entrevista exclusiva ao Portal Inclusão Social sobre o assunto com o diretor da entidade.

Por Elaine Mesoli(Estudante de Jornalismo pela UFS)

Inclusão Social - Como podemos definir a Pastoral Carcerária?

Magal da Pastoral - A Pastoral Carcerária é o serviço da Igreja Católica que leva o Evangelho de Jesus Cristo às pessoas privadas de liberdade e zela para que os direitos humanos e a dignidade humana sejam garantidos no sistema prisional. Mais de três mil voluntários católicos, em todo o Brasil, participam hoje das ações.

IS - Quando surgiu a instituição?

MP - Não posso precisar o surgimento em âmbito nacional, mas lembro de ter lido livros a respeito da atuação da Pastoral Carcerária desde a década de 70. Ela sempre existiu sob outras formas ao longo da história da igreja para evangelizar os presos. Em Sergipe, surgimos como instituição após a visita do padre Afonso Pastori em agosto de 1987, quando veio nos dar orientações sobre encontro de casal com Cristo e acabou nos ensinando o trabalho desenvolvido atualmente. Ele era orientador da Pastoral em Belo Horizonte, Minas Gerais.

IS - De que forma a Pastoral contribui para a melhoria de vida dos detentos?

MP - Primeiramente a Pastoral Carcerária procura ser a presença de Cristo no cárcere. O que Cristo faria? O que pensamos que ele faria é o que devemos fazer, juntando-nos aos funcionários e às autoridades para melhorar o sistema e a condição dos presos. Trabalhamos também com as famílias e com egressos do sistema prisional, na reinserção ao mercado de trabalho e na ajuda econômica às famílias dentro de nossas possibilidades, através de uma reunião semanal que realizamos.

IS - Que pedidos são feitos por quem está em cárcere privado?

MP - O maior anseio do ser humano quando está preso é a liberdade. Eles pedem que acompanhemos os processos melhorando a agilidade e dando assistência jurídica, pois alguns não possuem advogados e dependem de defensores públicos. Outros são explorados pelos advogados. Essa é a maior angústia e ansiedade deles. Se houvesse uma defesa mais firme, com certeza a pena poderia ser reduzida e eles receberiam os benefícios mais rapidamente. Existem reclamações também quanto aos maus tratos, à falta de trabalho, de boas instalações, alimentação, saúde e acesso às famílias. A falta de tudo isso não permite que o preso tenha condições de se ressocializar. Ainda temos um sistema prisional voltado para prender apenas, sem visar ressocialização.

IS - Como a Pastoral Carcerária é recebida nos presídios?

MP - Hoje somos bem recebidos. Um ou outro tenta retardar nosso trabalho, mas é uma minoria. Já houve época pior. Depende muito de quem esteja no comando. Há pessoas que entendem nosso trabalho, mas houve governos em que tínhamos uma dificuldade terrível para atuar. Há mais ou menos oito ou 10 anos ficávamos na porta rezando e pedindo para entrar.
IS - De onde vêm os recursos da instituição?

MP - Uma parte dos voluntários e outra da arquidiocese. Também recebemos doações, realizamos bazares e rifas para arrecadar dinheiro.

IS - Como será o encontro da Pastoral em Sergipe?

MP - Será o encontro da macrorregião Nordeste, que é realizado a cada dois anos. Trocaremos experiências e destacaremos os problemas mais recorrentes que mereçam uma melhor avaliação da Pastoral Carcerária. Tentamos deixar uma mensagem positiva e criar mecanismos para conscientizar a sociedade para esse problema. O tema de abertura será ´Segurança Pública´, com uma palestra de Ricardo Balestreli, secretário Nacional de Segurança Pública. Debateremos, por exemplo, questões como a separação de jovens que cometeram o primeiro delito de outros já reincidentes. O encontro acontecerá em Aracaju, no Hotel Parque das Águas, entre os dias 25 e 27 deste mês de abril.

IS - Como fazer para se tornar voluntário ou realizar doações?

MP - Através dos telefones: (79) 3042-9645 e 3231-6605, conversando com Rita.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ao idealista Cleomar

A primeira vez que eu o vi foi num seminário sobre o novo código de ética dos jornalistas. E as coisas que Cleomar Brandi disse nessa noite foram perfeitas, não cabendo apenas para aquela ocasião, mas que levássemos dentro de nós mesmos por toda a nossa vida.
A segunda oportunidade em que tive o privilégio de ouví-lo foi em sala de aula à convite de um professor. E não deixou a desejar. Os estudantes não só ouviam como se enlevavam com aquele idealismo e entusiasmo quase juvenil pela arte de mostrar o cotidiano.
O que percebi foi uma paixão intensa pela profissão. Intensa e real porque em nenhum momento vi o saudosismo que caracteriza alguns jornalistas da sua geração. Principalmente quando disse que essa não é uma profissão de sonhos e que, em jornalismo, engole-se sapos,cobras, lagartos e jacarés. E que o importante é você saber digerí-los e ao mesmo tempo matar mais que um leão por dia, porque sem suor o desafio do papel em branco jamais é superado.
Fiquei imaginando o quanto eu aprenderia ficando algum tempo ao lado de Cleomar sorvendo um pouco do manancial de conhecimento que ele possui e que retrata fielmente o que Gabriel Garcia Marquez escreveu: "Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade"
Numa parte do bate-papo com os alunos, ele ressaltou a importância da leitura para se ter uma boa escrita, e isto me remeteu a uma implicância que tenho com alguns dos textos de meus colegas. Não que eu não possua erros, não é isso, porque não sou infalível e nem conheço a gramática da nossa língua tão bem assim, mas penso ser imprescindível a alguem que vai fazer da escrita seu métier pelo menos ter um bom conhecimento de seu funcionamento. Caso contrário é como se trabalhássemos sem os equipamentos de segurança necessários ao desenvolvimento do trabalho.
O sentimento que me foi passado por Cleomar não foi apenas o da paixão, mas o da servidão.
Servidão ao jornalismo e sua função crítica e bela que é informar, refletir a realidade e ao mesmo tempo construí-la. E essa servidão foi totalmente transmitida em sua alegria, quando nos contou que era sempre o primeiro a chegar na redação, e em sua tristeza quando disse que sabia que um dia um outro jornalista poderia chegar antes dele ao jornal.
Infelizmente todos estes sentimentos não são os que prevalecem no jornalismo atual, onde o que impera é apenas o conteúdo mercadológico e onde as criaturas parecem ser quase todas venais.
A liçao que fica a todos nós, futuros jornalistas, desses momentos fugazes e de saber tão intenso que esta figura ilustre do jornalismo baiano-sergipano, Cleomar Brandi, nos deixa é exatamente aquilo de que devemos fazer nosso lema e que ele tão bem sintetizou em seu artigo Ametista não é Diamante é: "Ao acordar pautar a verdade, ao dormir editá-la"
Ando meio parada. Nem escrevo mais. Os únicos livros que leio ultimamente são acadêmicos.
Acho até que esqueci pra que serve um blog. E acabei resolvendo que vou escrever mais, nem tudo é estudar, estudar e correr atrás de grana.
Também penso que devo direcionar mais esse blog, colocar minhas opiniões acerca do que acontece no mundo. Pelo menos no mundo ao qual eu tenho acesso.
Não sei qual será a periodicidade com que farei isso, mas estou me propondo a sentar a bunda pelo menos uma vez por semana e mandar brasa num artigo, ensaio, ou seja lá o que for.
Afinal de contas, que merda de jornalista é esta que não escreve sobre nada?
Se for assim devo rever meu papel, já que escolhi essa profissão, um pouco por ideologia, confesso, mas também porque sempre escrevi muitas críticas sobre o mundo, iclusive sobre mim.
Se escrevo bem, não sei, mas tento fazer o melhor que posso.

Agora é esperar pra ver da próxima vez que eu escrever o que irá sair...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Sonhei com ele hoje.
Este homem está povoando até meus sonhos agora.
Nossa! Se os beijos dele forem tão bons quanto no sonho, acho que vou morrer.
Isso, presumindo que algum dia nos beijemos.
O convidei pra sair de novo, dessa vez não ficou nada acertado, mas pedi que me desse uma resposta até o meio da semana pra que eu possa me organizar e me preparar para ele.
Ah, meu Deus, quando eu ouço a voz dele eu viajo...
Fico apenas imaginando o sussurrar daquela voz, aquela boca carnuda na minha.
Fazia tempo que eu não desejava alguém com tanta intensidade assim.
Eu sempre olho pra cima, sempre quero os homens que não me são acessíveis num primeiro momento.
Não sei mais o que fazer pra chamar a atenção dele.
Enfim, vou ter de esperar chegar o fim de semana pra saber se ele vai ou não aceitar o convite que eu fiz para irmos ao teatro assistir a uma apresentação de dança do ventre.

sábado, 17 de maio de 2008

Estava pensando na forma geométrica conhecida como circunferência.
E viajando, pensando nisso pensei no mundo e na forma dele. Sabemos que não é de todo redondo, mas é sempre representado dessa forma. Qual seria o motivo? Um monte de cientistas e teóricos (infinitamente mais conhecedores do que eu) poderiam dar explicações corretas. Mas eu, em minha viagem, pensei que era dessa forma pra que nada nem ninguém tivesse um lugar fixo, pudesse sempre estar em círculos (o que de fato acontece). Pra que ninguém tivesse um canto onde pudesse se esconder. Com o mundo redondo nada tem fim, nada tem começo e está sempre em constante mudança.
Se o mundo fosse quadrado, haveria cantinhos inalcançáveis, se ele fosse triangular poderia haveria um lado maior que outro e uma posição mais alta que outra. E no redondo não. Não existem lados, é tudo igual, e ao mesmo tempo pode-se observar de maneiras diferentes.
Claro que isso é apenas uma viagem minha. Nada parece ter sentido. Nem eu tenho sentido. Não tenho lados. Dessa forma posso me imaginar completamente redonda. Mudando sempre. Cíclica. Igual, mas dependendo de como for observada, diferente.
Acho que estou acompanhando a forma geométrica do mundo. A única diferença é que tive um começo e vou ter um fim.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Incerteza

A conversa não prenunciava coisa boa.
Já nos falamos há quase um ano e tivemos apenas um encontro. Ontem marcamos outro encontro em frente a uma livraria no shopping.
Só depois é que me dei conta que existem dois shoppings com a mesma livraria. Como não havia maneira de entrar em contato com ele. Resolvi ligar pro trabalho e deixar recado para que não houvesse nenhum desencontro.
A noite eu já havia saído da frente do PC e esqueci o MSN conectado. Quando abri a tela vi que ele havia entrado, resolvi ficar. Estava até feliz pensando que iríamos ficar conversando mais um tempinho, mesmo eu tendo de acordar às cinco da manhã.
Mas no início da conversa, quando ele usou a palavra acordo para designar nosso encontro, aquilo não me soou muito bem. Quando ele mandou a frase"Começamos mal." eu gelei.
Eu sonhando com pores-de sol ao seu lado e recebendo um jato de água fria.
Enfim, naquele momento tive a impressão de que algo se rompera. Ainda não sei o que, mas com certeza o futuro mostrará.
Eu tenho medo de me apaixonar. E sempre fujo de situações onde não poderei ter controle do que sinto.
Mas quero. Quero ardentemente alguém que me faça sentir um friozinho na barriga, sorrir sozinha andando pela rua, me ligue no meio do dia só pra ouvir minha voz ou que me faça pequenas surpresas.
Não sei se será ele. Aliás, depois de hoje, não sei se conversaremos no mesmo tom de sempre.
O que sei é que doeu. E é dessa dor que eu sempre tive medo. Sempre fugi de paixões e amores por medo dessa dor.
Também não sei o que sinto por ele. O que sei é que sinto falta de conversar com ele, quando ficamos muito tempo sem nos falar.
Sempre fugi de conversas mais ousadas com ele por causa disso. Sua inteligência me atrai demais. Se bem que algumas conversas em tons meio dúbios me excitavam muito.
E isso me chamava atenção. Minha percepção dele como alguem desinteressante, foi mudando totalmente a partir dessas conversas.
Quando o conheci, gostei imensamente do cheiro que ele exalava (deve ser aquele lance dos feromônios), a maneira calma como ele fala, o tênis de couro preto (não lhe disse isso, mas acho sexy homens com tênis de couro).
Ah, e não posso esquecer o cabelo.
Imediatamente me imaginei sentada em seu colo beijando-o com minhas mãos enroscadas naqueles cabelos, mas também não disse isso.
Agora, talvez nunca mais nos vejamos, nunca esse beijo aconteça, nem vejamos pores-de-sol juntos.
Está doendo essa incerteza. Está doendo tanto que lágrimas caem dos meus olhos involuntariamente.
Eu sei que sempre vou sentir falta dele, falta do que não houve, do que não tivemos.
E sempre que comer chocolate me lembrarei dele.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Meus pezinhos estão cheios de bolhas.
Andei muito. Tudo por causa daquele homem.
Corro atrás dele feito louca. Será que ele se dá conta? Às vezes acho que sim, outras acho que não. Invento mil maneiras de ficar perto dele. Sei que ele não faz isso por mal, que é ocupado mesmo e não pode ficar resolvendo as coisas que eu peço pra ele fazer. Nem quero que ele pare com suas obrigações.
Mas que ele poderia facilitar meu lado, poderia.
Êta homem difícil, gente!
E está me pondo louca. Sonho com ele quase todo dia, nem sei mais o que fazer. Dou a entender de todo jeito que tô a fim, mas ele nada. Escancarar de vez é que eu não vou. Pode estragar a relação que teremos ainda pelos próximos anos.
Chamei ele para sairmos esse fim de semana. A resposta foi sim. Que me ligaria no dia para acertarmos o local onde ele me pegaria, porém, esperei, esperei e nada...
Procurei um jeito de ficar perto ainda nos próximos seis meses, mas não rola. Mas, depois desses seis meses, tenho pelo menos um ano vendo-o no mínimo duas vezes por semana.
Claro que não quero que essa minha espera se estenda durante todo esse tempo. Mas se até o curso acabar não rolar nada, aí sim eu abro pra ele.
Aí, se eu levar uma não,não terei mais de vê-lo e nenhuma relação mais a ser protegida.
Tá parecendo uma novela isso né?
Hoje, enquanto conversávamos, eu disse que gostava de coisa difícil, mas ele está demais. Sempre que tenho de fazer alguma coisa que dependa dele, é como uma romaria de tanto que ando atrás. Bem, ninguém pode dizer que não sou perseverante.
Se dependesse apenas de perseverança penso que já teria conseguido. Meus pés, aqui, que o digam. Já passei até uma pomadinha nas bolhas. Espero que cicatrizem logo. Senão não terei como correr atrás dele tão cedo...
Se alguém tiver alguma sugestão, por favor, fique a vontade. Quem sabe com alguma ajuda eu não consiga...

sábado, 22 de março de 2008

Chocolate

Ele gosta de chocolate!!!
Isso me surpreendeu. Ultimamente ele vem me surpreendendo muito. Eu sempre o vi como um sujeito correto, formal e até mesmo sem nenhum atrativo além da inteligência e alguma beleza física.
Em nossa ultima conversa ele conseguiu me fazer rir e arregalar os olhos diante de uma lista de importância dos pequenos prazeres de sua vida. Ele colocou o sexo em segundo lugar e o chocolate em terceiro!
A surpresa que tal fato me causou é que o percebia meio que assexuado de tão tímido que parecia.
Nossa! uma pessoa que tem o sexo nessa colocação numa lista de importância deve ser muito interessante!
Depois ele veio me contar que surfava. Caramba, pensei que as pequenas surpresas não parariam por aí.
Quando nos falamos pela primeira vez de verdade (até então nossas conversas eram virtuais), sua voz não me impressionou - acho vozes roucas e suavemente grossas um tesão - até porque senti um ligeiro tremor que demonstrou insegurança, fato comprovado após sentir suas mãos geladas, mas o fato dele me surpreender seguidamente fez com que me desse vontade de levar o caso mais um pouco e ver onde chegaria o noso conhecimento mútuo.
A verdade é que nos encontraríamos novamentente. Pelo menos, foi o que eu pensei devido às cirscunstâncias do nosso encontro real.
"Ele gosta de chocolates", pensei.
E por isso comprei um tablete numa loja de conveniência.
Mas ele não apareceu.

Fora de alcance

Na verdade o que eu queria naquele momento era sentir o sabor daqueles lábios carnudos
Eu não consigo resistir a um homem com aquela cara de safado.E também não sei por que cargas d'água sempre me encanto com homens que nunca vão me dar bola!!!
Agora é ele.
Que não me concede mais do que um olhar quando a ocasião se faz necessária; e ouvir aquela voz meio rouca e viril algumas vezes por semana sem ser direcionada a mim é quase uma tortura
Ainda mais agora que descobri que quando o timbre está mais baixo é quase uma carícia em minha pele, não sei mais o que fazer.
Sutileza não é meu forte, não primo pelo recato e não sou conhecida por pudicícia. Pelo contrário. Entro naquela sala com meus melhores decotes. Sento quase em frente à ele e não tiro os olhos, prestando atenção a todos os pequenos detalhes dele.
De tudo o que ele fala somente compreendo sua voz. E quando indago sobre algo é apenas para sentir o contato de meus ouvidos com aquela música inebriante que é sua voz.
Mas me sinto impotente, até mesmo frustrada.
Será que ele percebe o meu interesse?
Não sou mais uma adolescente que se deslumbra com um homem bonito. Não!!!
Sou uma mulher com desejos. E ultimamente meus desejos saem de cara poro de meu corpo em direção a ele. Desejo por ele!!!!
Ele também não é um Adonis de beleza. Mas é charmoso. E o conjunto me apetece. E muito!!
Bem, querer, desejar, não é suficiente. Tem de haver reciprocidade. Por enquanto é só um desejo unilateral. Também não me exporei. Se ele perceber e der abertura, bem. Senão, o que poderei fazer a não ser admirá-lo mais e mais?...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Acho que devo estar em crise existencial.
Não tenho andado com vontade de fazer um monte de coisa.
Preciso estudar mais, ler mais, amar mais. Fazer tudo mais.
Minha incipiente vida está um decréscimo total. Falta de dinheiro, então, nem se fala. Estou precisando de um monte de coisa. Menos de comida. Acho que tenho comido demais. Aliás, a única coisa que ando fazendo demais.
Deve ser falta de trabalho. Estou acostumada a trabalhar e tive de optar entre o trabalho e a faculdade. Fiquei com a faculdade e com meu sonho de ser jornalista. Nunca quis ser advogada. Sempre quis escrever em um jornal. Mas resolvi tentar um pouco tarde.
Na turma da facul eu sou a mais velha. Já passei dos trinta, mas não revelo o quanto (um pouco por vaidade). Quando me formar estarei beirando os quarenta. E com esse mercado altamente competitivo e com a turma jovem e pensante que percebo me rodear, não sei quais serão minhas chances. Só vou pensar nisso quando chegar a hora.
Profundidade nunca foi o meu forte. Mas gosto de pesquisar. Agora estou profundamente indecisa se entro para o meio acadêmico ou não. E também daria pra conciliar se eu trabalhasse em jornal.
Entretanto, o dinheiro da profissão parece estar em Assessorias de Comunicação. As Ascom da vida e sua eterna maquiagem. Nesse campo o jornalista é muito mais um relações públicas. Ou um vendedor. Bem, pelo menos em vendas eu me saio bem. Quanto à relações públicas, não tenho muito certeza.
Sou muito autoritária e confesso que me delicio quando percebo que consigo manipular ou exercer influência em alguém. Não sei se é uma característica boa ou ruim, mas quando me disponho a algo, geralmente consigo e não me importo muito com os meios que terei de usar para conseguir. Falta de escrúpulos? Talvez. Egoísmo? Sim. Altruísmo apenas para ajudar outros sem que para isso eu precise me sacrificar. Sou muito territorialista e detesto que invadam meu espaço.
Claro que não ataco. Sou pacífica. Detesto confusão. E pra não entrar em uma faço meus ouvidos moucos e meus olhos cegos. Assim não me aborreço. E geralmente consigo conviver.
Enfim, a crise continua, depois dos trinta ela é contínua, embora às vezes nem perceba, tão entranhada que está. O que não muda nunca é a alegria. Você deve estar se perguntando o que tem haver alegria com crise existencial. Oras bolas, eu não preciso estar triste para estar em crise. Ou posso utilizar a alegria como máscara para todo o abismo em que está mergulhada a alma. Assim esqueço da crise e não aborreço ninguém. Nem a mim mesmo.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

À INEXISTÊNCIA DE MINHA ALMA

Minha alma transita
Entre a enegrecida névoa
Que existe na ignorância de sua existência
E a tênue luz dos olhos teus.

Grita roucamente buscando
E nas paragens desse interminável caminho
Encontra somente dor e desalento
Como um denso manto encobrindo a desejada paz.

Minha alma transita
No vácuo torpe e inerte
Da tua ausência que fere.

Minha alma apenas vislumbra
O brilho que deles emana
E consegue perceber que longe deles ela não existe: inexiste.