segunda-feira, 21 de julho de 2008

Ao idealista Cleomar

A primeira vez que eu o vi foi num seminário sobre o novo código de ética dos jornalistas. E as coisas que Cleomar Brandi disse nessa noite foram perfeitas, não cabendo apenas para aquela ocasião, mas que levássemos dentro de nós mesmos por toda a nossa vida.
A segunda oportunidade em que tive o privilégio de ouví-lo foi em sala de aula à convite de um professor. E não deixou a desejar. Os estudantes não só ouviam como se enlevavam com aquele idealismo e entusiasmo quase juvenil pela arte de mostrar o cotidiano.
O que percebi foi uma paixão intensa pela profissão. Intensa e real porque em nenhum momento vi o saudosismo que caracteriza alguns jornalistas da sua geração. Principalmente quando disse que essa não é uma profissão de sonhos e que, em jornalismo, engole-se sapos,cobras, lagartos e jacarés. E que o importante é você saber digerí-los e ao mesmo tempo matar mais que um leão por dia, porque sem suor o desafio do papel em branco jamais é superado.
Fiquei imaginando o quanto eu aprenderia ficando algum tempo ao lado de Cleomar sorvendo um pouco do manancial de conhecimento que ele possui e que retrata fielmente o que Gabriel Garcia Marquez escreveu: "Pois o jornalismo é uma paixão insaciável que só se pode digerir e torná-lo humano por sua confrontação descarnada com a realidade"
Numa parte do bate-papo com os alunos, ele ressaltou a importância da leitura para se ter uma boa escrita, e isto me remeteu a uma implicância que tenho com alguns dos textos de meus colegas. Não que eu não possua erros, não é isso, porque não sou infalível e nem conheço a gramática da nossa língua tão bem assim, mas penso ser imprescindível a alguem que vai fazer da escrita seu métier pelo menos ter um bom conhecimento de seu funcionamento. Caso contrário é como se trabalhássemos sem os equipamentos de segurança necessários ao desenvolvimento do trabalho.
O sentimento que me foi passado por Cleomar não foi apenas o da paixão, mas o da servidão.
Servidão ao jornalismo e sua função crítica e bela que é informar, refletir a realidade e ao mesmo tempo construí-la. E essa servidão foi totalmente transmitida em sua alegria, quando nos contou que era sempre o primeiro a chegar na redação, e em sua tristeza quando disse que sabia que um dia um outro jornalista poderia chegar antes dele ao jornal.
Infelizmente todos estes sentimentos não são os que prevalecem no jornalismo atual, onde o que impera é apenas o conteúdo mercadológico e onde as criaturas parecem ser quase todas venais.
A liçao que fica a todos nós, futuros jornalistas, desses momentos fugazes e de saber tão intenso que esta figura ilustre do jornalismo baiano-sergipano, Cleomar Brandi, nos deixa é exatamente aquilo de que devemos fazer nosso lema e que ele tão bem sintetizou em seu artigo Ametista não é Diamante é: "Ao acordar pautar a verdade, ao dormir editá-la"

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