terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Estava um ferreiro trabalhando em sua ferraria, quando chega um amigo que há muito não via e lhe diz:
- Pois é, quem te viu e quem te vê. Antes, quando você andava por aí pelo mundo, estava numa situação melhor do que essa em que está agora. Suas roupas eram caras, sua bebida, a melhor, e sempre havia pessoas ao seu redor. Depois que resolveu mudar e passou a acreditar nesse negócio de Deus, parece que piorou, cara! Olha para suas roupas: estão rasgadas; seus sapatos estão furados e em pleno Natal, você não tem ninguém, nem o que comer na ceia.
O ferreiro ficou olhando-o sem nada dizer, apenas trabalhando em uma peça que estava fazendo. Passado alguns minutos lhe responde:
- Esta vendo essa espada aqui?
- Sim, estou!
- Para que ele chegue a ter um bom fio e não se quebre facilmente ela tem de passar por alguns processos. Primeiro o ferro chega aqui e eu o levo ao forno com mais de mil graus para derretê-lo. Logo após levo-o à agua fria para endurecê-lo novamente e cortar na forma que eu quero. Eu o aqueço novamente e torno a mergulhá-lo na água fria. A cada vez em que sai do calor e sente o frio da água ele chia e chia até não poder mais. E ele tem de passar por esse processo várias e várias vezes. Alguns suportam bem e dão o melhor aço como aquelas que estão expostas, polidas e brilhantes! Já outras não conseguiram alcançar o fio perfeito e a rigidez necessária para ser uma boa espada e estão alí naquele canto, esquecidas. Ninguém as quer porque o aço não conseguiu dar o melhor de si.
O amigo o olha sem nada entender
O ferreiro continua: - Eu rezo todos os dias pedindo a Deus que por mais que eu saia do calor que uma vida regalada e farta me proporciona, quando eu tenha que passar pelas águas gélidas da adversidade que eu chie, sim, mas que eu possa dar um bom aço. Duro e firme, que enfrente o que vier pela frente e que não me quede alí, no canto das almas esquecidas, porque fui fraco e não dei o melhor de mim.
Que eu seja forjado nas turbulências da vida para ser o melhor aço feito pelas mãos do maior ferreiro que existe: Deus!!!

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

FAZENDA ESPERANÇA RECUPERA DEPENDENTES QUÍMICOS EM GARARU

Em meio ao sertão sergipano, na cidade de Gararu, distante 161 km da capital, existe um lugar que traz uma chance de recuperação aos dependentes químicos e alcoólatras. Trata-se da Fazenda da Esperança. Um belo lugar, com um pedaço do rio São Francisco passando por sua sede e mantido pelos internos com seu próprio trabalho que funciona como terapia, e pela Igreja Católica, que é quem administra o local através do bispo Dom Mário Savieri e Padre Melque.


Os internos possuem uma rotina de trabalho no campo, oração e também uma sala de jogos para os períodos de lazer. Além disso, não são utilizados medicamentos no tratamento. A Fazenda da Esperança é conhecida internacionalmente e aqui no Estado possui três unidades, sendo uma em Gararu e duas em Lagarto. O tratamento tem a duração de um ano e não é gratuito, sendo a mensalidade a compra de produtos da própria fazenda produzidos pelos internos em recuperação.

Para conhecer melhor o trabalho da Fazenda da Esperança entre em contato através do telefone (79) 3354-1285.




Por Elaine Mesoli
Vejam essa matéria no site www.inclusaosocial.com

terça-feira, 30 de outubro de 2007

"UMA MULHER COM ANSEIOS E DESEJOS. PRINCIPALMENTE DESEJOS"

Ousada
Abusada
Sempre sorrindo
Frustrada, às vezes
Quando quer e seu querer
Não se realiza.
Porque não está em suas mãos essa realização.
Uma mulher que quer tudo
Mas também que não quer nada.

Que chora
Esperneia
E ama.
Ama intensamente
E tanto
Que seu amor é dividido igualmente
Entre seus muitos amores.

Deseja
E seus desejos
Se consomem
E a consomem
Quando danam de arder.

Não é fiel
Mas é leal
Leal ao seus amores
E aos amigos que adora ouvir
E com eles aprender.

A mulher que pensa
Que se dá inteira
Ao que faz.

E quer...
E anseia...
E deseja...
E ama...

Esta sou eu.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

FRUSTRAÇÃO

Frustração por não ter
Por ver se esmaecer
O que não se deve querer

Frustração por ver fugir
Sem que se possa impedir

Frustração por desejar
E não poder ter
O ato de amar

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

De você não quero nada
Apenas seu riso solto
Seu cabelo revolto
Seu peso imoto

Não quero de você
Momentos esparsos
Fortuitos
Esquivos

Mas se quiser
Me dê seu tudo
Dentro do meu nada
Que eu aceito


No ônibus indo pra casa

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Hoje o dia não tá legal.
TPM das brabas. Tudo irrita. Tudo faz chorar. Tudo faz rir. Às vezes tudo ao mesmo tempo.
E pra completar tendo de fazer bainha de calça à meia noite!!!!!
Um saco! Não case. Ou melhor, case, mas com um homem (ou mulher, tanto faz, o gosto é seu) diferente deste que eu surtei e casei. De preferência que tenha gosto parecido e que se compreendam, porque quando isso é unilateral, meu amigo ou amiga, é fogo!
Imaginem só que vc querendo ouvir sua mpb básica, seu pop rock nacional ou não, e de repente chega um homem bêbado, grosso, querendo ouvir Furacão do Brega ou o Rei da Pisadinha!Ninguém merece!Quer dizer, eu mereço, casei né? Bem feito pra mim!
E eu só inicio os ditos cujos com letra maiúscula por uma questão de respeito à língua portuguesa. Se bem que eles assassinam as noções de gramática e concordância!
Então, entro na internet pra ver se consigo aliviar essa desgraçada e sorrir um pouco e tem um amigo que ri de mim. Puta! eu queria trepar com ele e ele rindo de mim! Definitivamente hoje não é um dia normal!
Mas tudo bem, melhor que ele ria porque aí eu posso xingá-lo.
Se ele chorasse eu acabaria chorando junto e querendo consolá-lo.
Não chore na minha frente nunca. Me sinto impotente diante do choro, porque quero ajudar, tirar o sentimento ruim que porventura estejam sentindo e não consigo, porque não estou dentro de você.
Mas por favor sorria sempre quando estiver perto de mim. Gosto de alegria, de sorrisos. Vivo sorrindo. Mesmo hoje acho que se conseguisse sorrir de algo essa porcaria de TPM passaria.
Bem, agora eu vou terminar a bainha dessa calça e vou dormir.Amanhã acordo como se nada houvesse acontecido.
Amanhã não, daqui a pouco, porque hoje eu acordo as cinco e meia da manhã.
Então... até mais.

sábado, 13 de outubro de 2007

EXERCÍCIO

Exercito meu sorriso
E a cada vez que sorrio
Mais amplo e largo ele fica.

Exercito minha alegria
E junto a ela cada momento feliz
Formando uma trilha de sorrisos.

Que vão se tornando maiores
E mais numerosos
Pela alegria de sorrir.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

O CHEIRO

Assim que cheguei perto dele comecei a sentir um cheiro estranho, um misto de suor e não sei mais o que.
Era uma mistura que não me agradava. Eu não gostava sequer de estar perto dele.
O tempo foi passando e nos encontrávamos cada vez mais, sempre por questões profissionais. Passamos a conversar e a nos conhecer um pouco melhor.
Com o tempo percebi que eu ficava procurando aquele cheiro e que já não me incocmodava o fato de estar ao seu lado. Ao contrário eu já estava gostando daquele odor que lhe era tão característico.
Pode até parecer loucura mas eu comecei a sentir aquele cheiro em outros lugares, mesmo quando ele não estava.
Não sei a partir de que momento o cheiro dele parou de me incomodar, nem quando comecei a sentir falta de sua presença e a desejá-lo.
Sei que o desejo por ele me fazia acordar todos os dias, me arrumar e sair para quem sabe encontrá-lo.
Um dia, como que atraídos por um íma invisível, ficamos juntos e fizemos amor durante toda a noite. Quando acordamos a mágica desvaneceu. Era um novo dia, voltamos à nossa vida. Eu à minha medíocre vida de trabalho-faculdade-casa. E ele à dele, que não sei como é.
O que resta daquela noite é o cheiro. E toda vez que o sinto recordo do dono e da noite de amor vivenciada.

O FIM

Imaginava aquele momento desde o instante em que pousei os olhos nele.
Era um belo homem. Não para os padrões estéticos em voga, mas aos meus olhos ele era um homem bonito.
Tinha porte, liderança, olhar inquietante e observador, parecia que me desnudava a alma quando pousava o olhar em mim.
E ainda por cima aquele ar de ironia!
Refleti e vi que era melhor parar de divagar, ainda mais quando o que se quer parece estar inacessível, totalmente fora do alcance.
Todavia, eu disse "parecer" estar inacessível, não que o fosse de fato. Então, pensando na situação, resolvi deixar o barco ir ao sabor do vento. Se não me fosse favorável eu navegaria de volta ao continente.
O que provocou um segundo olhar daquele homem intrigante? Não sei, não se pode saber todas as coisas. O que me importava era que esse interesse surgiu. Decidi pular na água e mergulhar, entretanto não me manifestei. Demonstrava meu interesse mas não me manifestava. Até um dia...
Nos encontrávamos sempre, mas nunca conversávamos e dessa vez aconteceu de estarmos sós e a conversa surgiu. Os assuntos foram fluindo e nos conduzindo, não sei se por mim ou por ele ao lugar onde eu queria que tivesse chegado.
Realmente, ele me provara ser o homem fascicnante que eu tinha em mente.
O acaso (embora eu não creia que tenha sido ele) se encarregou de nos proporcionar ocasião e tempo de estarmos juntos e finalizarmos aqueles "assuntos" que ficaram pendentes.
Apesar de não ser tímida ele me deixava encabulada. Com qualquer outra pessoa eu seria direta e diria o que queria, contudo sua presença marcante me intimidava.
Estávamos somente eu e ele, eu estava nervosa e por isso não ficava calada. Falava coisas das quais nem me recordo agora. E o ouvia. Ouvia suas histórias como se estivesse devendando um segredo. Estava encantada!
Conversamos a noite toda. Meu Deus, eu não sentia sono, só queria ouvir aquela voz, principalmente quando o tom estava mais baixo, quase rouco!
Era um jogo de gato e rato. Eu o desejava com todo o meu corpo. E ele avançava e recuava. O dia estava amanhecendo quando ele resolveu me beijar. Ele levou a noite toda para fazer o que eu mais desejava. Por que?
Bem, não interessa, o fato é que ele me beijou. E esse beijo foi o início de um ato muito bom. E eu quis apenas sentir, aproveitar casa sensação proporcionada, controlando meu desejo e prorrogando o fim, porque na verdade eu não queria que acabasse.
Eu queria o corpo dele sobre o meu preenchendo, pesando, amando...
Se eu terminasse naquele instante eu me odiaria. O que eu desejava era o prazer dele. O meu prazer era conseqüência do dele.
Eu o desejava e sua concentração me mostrava o empenho dele em meu prazer.
Mas o que eu queria era olhar seu rosto na hora do prazer.
Eu não queria acabar, não queria que tivesse fim...
O fim chegou algum tempo depois...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quanto a mim, coisa bem diversa direi. Os humanos desconhecem o poderio extraordinário de Eros. Se o conhecessem, haveriam de construir-lhe templos magnificos, sacrifícios opulentos. Porque Eros possui todas as belas qualidades que lhe atribuíram os que me precederam? Porque é tão zeloso e benevolente para os homens? Porque outrora, no princípio, éramos unos e havia três tipos de humanos: o homem duplo, a mulher dupla e o homem-mulher, isto é, o andrógino. Eram redondos, com quatro braços e quatro pernas e dois rostos numa só cabeça. Vigorosos sentindo-se completos, decidiram subir ao céu. Foram punidos por Zeus que os cortou pela metade, voltando-lhes o rosto para o lado onde os cortara deixando-os com os órgãos sexuais voltados para trás. Desde então, cada metade não fez senão buscar a outra e, quando se encontravam, abraçavam-se no frenesi do desejo, procurando a união, morrendo de fome e inanição nesse abraço. Para evitar que a raça dos humanos se extinguisse, Zeus permitiu que Eros colocasse os órgãos sexuais voltados para a frente, concedendo-lhes a satisfação do desejo e a procriação. Eros restaurou a unidade primitiva e nos faz buscar nossa metade perdida: os que vieram dos andróginos, amam o sexo oposto, os que vieram dos homens e mulheres duplos, amam os do mesmo sexo. O amor é desejo de unidade e indivisão. Encontrar nossa metade: eis nosso desejo. Ao deus que isso nos propicia, todo nosso louvor."

DISCURSO DE ARISTÓFANES EM ' O BANQUETE' DE PLATÃO
" Me fundiria con tu cuerpo
Haciendote el amor hasta no poder más
Lo haria suavemente
Y desfrutando de cada parte de tu cuerpo
Hasta despiertar y verte a mi lado
Y quedarme ahí
Porque es ahí donde me quedaria
A sentir el calor de tu cuerpo
Y sentir de tus carícias..."

Dicho por Juampi.

ORAÇÃO A EROS

QUERO SENTI-LO DENTRO DE MIM
SENTIR OS BEIJOS DE SUA BOCA
A CARÍCIA DE SUAS MÃOS
SENTIR O PESO DE SEU CORPO
SOBRE O MEU
VER O BRILHO DE SEUS OLHOS EM DELÍRIO
E OUVIR SEU GRITO ROUCO DE DESEJO
NA HORA DO PRAZER

SENTIR SEU TOQUE PASSEANDO
PELO MEU CORPO
BUSCANDO E ME TORTURANDO
NUMA SUAVE AGONIA

SENTIR SEU SEXO TESO
ME POSSUINDO
E SE MOVENDO NUM RITMO ALUCINANTE
E NOSSOS GEMIDOS SE JUNTANDO
NUM TORVELINHO
CRESCENDO, CRESCENDO...
EXPLOSÃO
A ALMA EXPLODE EM GOZO
NUMA ORAÇÃO À EROS

PERDAS E ENCONTROS

Aconteceu naquele dia. Justamente no dia em que eu acordara feliz, pronta para enfrentar o mundo, se fosse preciso.
O dia que amanhecera lindo, reluzente e brilhante, aos poucos foi se tornando nublado e cinzento, assim como o meu interior.
Recebi a notícia com um sorriso nos lábios que foi morrendo aos poucos até que todo meu rosto toenou-se um esgar de dor.
Meu chão, meu porto seguro se fora. Nunca mais ouviria seu gargalhar feliz, sua cabeleira branca e farta ainda... nunca mais... Meu avô, a única pessoa que me amava incondicionalmente, morreu. A notícia que chegou bem no momento em que eu me preparava para visitá-lo e contar-lhe que iria me casar com Charles no fim do outono e aproveitar minha lua-de-mel na encantadora Londres durante toda a primavera.
- E agora? - pensei. - O que será de mim?
De olhos fitos no caixão, permaneci inconsolável durante todo o tempo em que estava no velório. Foi quando virei o rosto olhando para a porta de entrada que a vi entrar. Minha tia Madeline, que vivia em Glocestershire viera e antes mesmo de olhar o pai em seu leito derradeiro, veio até mim e me abraçou em condolências.
Nunca fomos muito afins, embora tivéssemos personalidade e opiniões parecidas vivíamos nos arreliando e não nos falávamos desde meus dezesseis anos, quando ela casara com o homem que eu amava. Ainda assim, uma admirava as atitudes da outra dissimuladamente.
Ela me consolava e por instantes pareceu-me sentir através de tia Madeline, o perfume de pinho tão característico de vovô.
Por isso, tão somente, agarrei-me a ela como um náufrago à deriva se agarra a algo que o salvará. Senti nesse momento muito carinho por aquela mulher que acabara de perder o pai, porque vi refletida nela a mesma dor que estava sentindo.
Nesse instante tornamo-nos uma só pessoa. Sem palavras, apenas com o olhar ambas entendíamos o que a outra sentia.
Dentre todas as pessoas reunidas naquela sala, velando o corpo do Duque Patrick de Montreaux, algumas muito próximas a mim, a única que conseguiu me consolar foi a mulher de quem eu tinha tanta mágoa.
Ficamos assim paradas consolando uma à outra apenas com o olhar e as mãos entrelaçadas.