sábado, 25 de abril de 2009

E com vocês...Lateiros Curupira!

Dez dias e setecentos artistas em doze palcos simultâneos. Este será o 40º Heripage Jazz Fest, na cidade de New Orleans, nos EUA. Nele, quatro alunos do grupo musical Lateiros Curupira representarão a música de Sergipe. A garotada embarcou no domingo (19), e dividirá o palco com os músicos sergipanos Antônio Rogério e Chico Queiroga no dia 25.

O Lateiros Curupira chama a atenção de todos que os escutam em seus ensaios e apresentações pela maneira como adaptam materiais recicláveis, como baldes, latas e panelas transformando-os em instrumentos sonoros. Desse material inusitado, aliado à base das músicas e das tradições folclóricas nordestinas, o grupo encanta em cada canto por onde passa. E já dizia o Mestre Sivuca que “de tudo podemos tirar um belo som”.

Cultura sergipana para exportação

O percussionista e diretor do Lateiros Curupira, Gladston Batista, mais conhecido como Ton Toy, disse que o convite surgiu após a empresa de produção Ecos Latino apresentar filmagens do grupo aos diretores do evento. “Eles fazem uma triagem e convidam músicos de toda a parte do mundo”, explica Ton Toy.


Mas, como nem só de música vive a cultura, e muito menos a sergipana, que é tão rica em costumes, no Festival também estarão presentes algumas manifestações folclóricas como a Chegança, o Cacumbi, a Batucada e o Samba de Pareia.


Além das apresentações no Festival, o grupo também tocará em igrejas e escolas públicas norte americanas. E mais: os representantes do Lateiros ficarão 11 dias hospedados nos EUA, terão a oportunidade de ouvir ao vivo os melhores nomes do Jazz, e irão participar de workshops. O que nós, aqui em terras de cajueiros e papagaios, esperamos é que essa estadia sirva de mais inspiração para o talento dos garotos.

Os músicos Antônio Rogério e Chico Queiroga já são veteranos no evento. Participam pela 5ª vez daquele que é tido como o maior e mais importante Festival de Jazz do mundo. “Estaremos participando de um evento que terá a presença dos grandes nomes da música. Iremos nos apresentar juntamente com os Lateiros, mas eles terão seu momento solo”, ressalta Antônio Rogério.


E quem são os Lateiros Curupira?


O Lateiros Curupira foi formado em 2005 por adolescentes que participavam da oficina de percussão desenvolvida pelo Instituto Recriando. A oficina é parte do Projeto `Recriando Caminhos´, financiado pela Petrobrás, Governo de Sergipe e Prefeitura de Aracaju.


O grupo atende meninos de baixa renda nas comunidades de Cidade Nova, Alto da Jaqueira, Japãozinho e Jetimana. Atualmente, é composto por 38 adolescentes com idades entre 12 e 20 anos. Segundo o Instituto Recriando, o objetivo da oficina de percussão não é a “profissionalização artística e sim o uso da música como um meio para despertar a atenção de crianças e adolescentes em relação à riqueza cultural de Sergipe”.


Mas, como a arte tem vida própria e transforma a vida das pessoas, o grupo, pela qualidade do trabalho desenvolvido, vem tendo uma demanda cada vez maior de apresentações. Saem, enfim, do exercício e torna-se inevitável uma profissionalização.


Lado triste...mas nem tanto


Dos 38 alunos, somente quatro poderão estar presente no evento. Não apenas por falta de patrocínio, mas também porque, segundo Ton Toy, “os critérios adotados foram: ter 16 anos ou mais, técnica e comportamento”. Como parte da garotada com mais de 16 anos está afastada do grupo fazendo cursos profissionalizantes e participando de outros projetos, restaram alguns poucos que atendiam completamente aos critérios exigidos.


“Imagine o reflexo que terá para estes garotos, na auto estima deles, o grau de legado que servirá como estimulo para os demais e para uma futura profissão”, ressalta Antônio Rogério.
Agora o que nos resta é esperar a volta dessa turma de talento e, para quem ainda não conhece, não perde por esperar para conferir a performance do grupo. E, com vocês... Lateiros Curupira!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Brasil: de devedor à credor

"Agora estamos entrando no clube de credores do FMI", disse o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas nesta quinta-feira (09). A declaração foi dada após comunicado que o governo brasileiro aceitou o convite do Fundo Monetário Internacional (FMI), para participar do grupo de países que financia regularmente o organismo.

O país não financia regularmente as operações da entidade desde 1982 quando o país passou a tomar dinheiro emprestado do FMI e, em dezembro de 2005, o Brasil quitou a dívida pagando o valor de US$15,5 bilhões que venceriam no final de 2007. Esse era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um empréstimo de US$ 41,75 bilhões negociado com a entidade multilateral em 2002. Além do pagamento ao FMI, o governo liquidou também a dívida de US$ 2,6 bilhões que o governo Fernando Henrique contraiu com o Clube de Paris (grupo de bancos privados).

Desde então, se passou apenas três anos e o país evoluiu economicamente. De devedor passou a credor. Em fevereiro de 2008, o Banco Central (BC), anunciou que o Brasil já era credor externo. Isso porque toda a dívida externa brasileira, o que inclui débitos dos setores público e privado, estava garantida por um patamar maior de reservas internacionais, e de outros ativos não explicitados pelo BC.

A partir de 1º de maio, o Brasil colocará à disposição do FMI uma cota no valor de US$ 4,5 bilhões, mas o Ministro acredita que será "muito difícil" haver necessidade de o FMI usar todo esse montante.

O objetivo de o Brasil se tornar um credor do FMI é ajudar os países emergentes que enfrentam dificuldades de crédito por conta da crise internacional. Dos 185 membros efetivos do fundo, apenas um grupo de 47 países são credores do FMI. "Mostra que o Brasil tem solidez econômica e que ainda poderá ajudar os países emergentes com problema de crédito”, declarou Mantega.

Segundo o ministro Mantega, a participação brasileira estará limitada ao total de sua cota. “Não quer dizer que vamos colocar o dinheiro agora. Se o fundo necessitar, ele vai nos solicitar e colocaremos ate esse total”.

Mantega esclareceu ainda que essa modalidade de empréstimos não afeta as reservas internacionais brasileiras, que permanecerão na mesma situação. Atualmente, as reservas brasileiras somam US$ 201 bilhões, patamar desta última quarta-feira (08).

Em troca do financiamento, o ministro da Fazenda, esclareceu que o FMI dará ao Brasil Direitos Especiais de Saques (DES). Esses Direitos são unidades de conta utilizada nas transações do organismo. São ativos líquidos e fazem parte das reservas internacionais do país membro, podendo ser sacados imediatamente em caso de necessidade de balanço de pagamentos.


Foto: www.jornaldoabcpaulista.com.br/economia.htm

domingo, 5 de abril de 2009

Festival Nordeste Independente


Registrando esse evento. Lugar que vale a pena ir. Primeiro pelos curtas. E quem gosta de cinema sabe do que estou falando. Depois pelas bandas. Sem contar as HQs. Programa e diversão da melhor qualidade.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Drácula de Bram Stocker. Mais que terror, amor.


O logotipo da Columbia, nos permite escutar os primeiros acordes de uma marcha macabra, que logo dá seguimento a um prólogo. Parece uma lição de Historia, que nos remete à Constantinopla do século XV, quando sofreu a invasão dos turcos.
Pensamos que veremos uma história de terror. É isso que pensamos assistir em Drácula de Bram Stocker. No entanto, os românticos de plantão tem uma grata surpresa no decorrer do filme. Apesar de se tratar de uma história com vampiros, o filme, na verdade, trata-se de uma história de amor. Um amor que perdura mesmo na maldade. Um amor que atravessa os séculos e continua intenso. Um amor que vive além da morte.

O prólogo do filme narra a historia de como o nobre e cruel aristocrata romeno tornou-se Drácula, o vampiro: foi por amor a uma mulher, Elizabetha. A princesa que se suicida porque pensa que seu príncipe morreu. O príncipe, ao ver a esposa morta torna-se um ser diabólico, imortal, que atravessa os séculos até encontrar a reencarnação de sua amada.

No filme, os acontecimentos se passam no tempo presente, o que aumenta a ação das cenas. E podemos dividi-lo em três partes além do prólogo. A primeira que mostra o conde envelhecido, uma figura excêntrica, e que termina na hora em que o conde viaja e chega em Londres. A segunda parte até que descobrem sua verdadeira identidade e, por fim, a terceira que vai até a cena onde lhe cortam o pescoço e ele recebe o perdão do Deus renegado por ele.

Ainda no prólogo é possível percebermos técnicas do cinema de animação. Na batalha e durante a segunda parte do filme, a fotografia de Michael Ballhaus, trabalha com as sombras trazendo recursos do teatro chinês e da lanterna mágica, precursores do cinema . Podemos até mesmo ver presente numa cena do filme, quando o Conde Vlad chega em Londres, o próprio cinematógrafo e a maneira como ele era passado. A invenção recente era considerada produto de baixa cultura, como a personagem Mina deixa claro ao mandar o conde procurar cultura em museus e teatros.

Em diversas cenas, a sombra de Drácula torna-se um personagem independente, em especial na seqüência em que Keanu Reeves anuncia ao conde que é o noivo de Mina. A sombra que se move de modo diferente do dono acentua o caráter do vampiro e dá mais suspense à cena. É uma referencia clara ao teatro que trabalhava com sombras de pessoas e objetos para criar a ilusão da projeção de uma cena.

Apesar da história de amor cental, sequências de sensualidade extrema dão ao filme cenas memoráveis. Como as cenas onde Jonathan Harker (Keanu Reevers) sai do seu quarto, à noite, para conhecer o castelo e encontra três vampiras que, literalmente, o devoram. Num exercício cinematográfico de sensualidade e sexualidade, uma delas abre as calças do Jonathan e, ao levantar a cabeça, mostra os dentes pontudos de vampira e desce a cabeça, rápido... um corte no rosto dele, que se levanta, entre desespero, dor e prazer!

Até mesmo as cenas protagonizadas pelas amigas Mina (Wynona Rider) e Lucy (Sadie Frost) primam pelo erotismo presente. Mina se entrega ao vampiro por sua própria vontade, querendo ser como ele. Lucy com seu cabelo vermelho, é a personificação do sexo em uma personagem. Ela fala frases picantes, quer se entregar a todos de uma só vez, e as cenas nas quais ela é atacada pelo vampiro chegam próximas ao cinema erótico, pelos gemidos que se ouve e pelas estranhas posições em que o vampiro suga-lhe o sangue em uma pesada cena de sexo com um Drácula transformado em animal.

Gary Oldman, por sua vez, surpreende com a interpretação de uma personagem multifacetada: primeiro, um guerreiro medieval em um momento de fúria, em seguida, um velho conde excêntrico que acolhe de modo sinistro e respeitoso o hóspede inglês Jonathan Harker . Também se transforma em um lobisomen que sodomiza Lucy e em um jovem aristocrata que caminha por Londres, alternando a imagem de um nobre cavalheiro e sua real identidade enquanto vampiro.

O filme sofreu diversas críticas por modificar a história original do livro escrito em 1897 por Bram Stocker. Entretanto, recebeu diversos elogios quanto às técnicas utilizadas. Efeitos simples de animação, velas que acendem, fumaças que se movem e olhos que tudo vêem no meio do céu deram ao filme a sensação de nostalgia resgatada dos primórdios do cinema. as, sem dúvida o melhor deste filme está em seu cenário. Já desde o começo, nos damos conta de que não assistimos a uma trama convencional, senão quase um montagem teatral. cada cenário é apresentado de um ponto de vista frontal com planosgerais para poder cnhecer todos os detalhes.

Como motivo complementar, devo mencionar a importância da cor como valor simbólico. Neste sentido, o vermelho é uma das mais repetidas, em alguns casos evoca o caráter de morte, mas também o amor. Romântico como pode ser o vestido em Mina, ou luxurioso como no tom de cabelo de Lucy e na cor da camisola transparente, vista no encontro dela com o lobisomem.
Vermelho é também a armadura, que o príncipe Drakul usou no prólogo, símbolo do valor do guerreiro, e carmesim é o vestido quando se revela a Harker como um ancião. Além disso, vermelho é o símbolo da vida, "O sangue é vida", repete com insistência o vampiro ainda que seja uma vida maldita, de condenação eterna.
Outra das cores empregadas é o branco, tradicionalmente considerado um símbolo de pureza e bondade. Neste caso branco é o vestido de noiva com que vestem Lucy em sua cripta, convertendo-se em um improvisado uniforme do novo vampiro. O branco tem assim um caráter de morte, não de vida. A mesma cor veste o conde quando Mina decide abandoná-lo para voltar aos braços de Harker, o que desperta a ira do vampiro, precipitando os acontecimentos.
Também um símbolo de morte pode considerar-se o verde do vestido da princesa Elizabetha, ou em outro caso uma forma com de reconhecer o amor perdido, como o vestido verde azulado que Mina usa quando o conde a aborda nas ruas de Londres. Assim como as cores tem importância, também tem as sombras, utilizadas para representar momentos de grande crueldade como o massacre da batalha inicial, ou as sombras que habitam o castelo de Drácula, com especial relevância a sombra do conde que parece ter personalidade própria.

Tampouco deve esquecer-se o figurino, obra da japonesa Eiko Ishioka, destacando o caráoter exótico da indumentaria das noivas de Drácula, a riqueza das túnicas que usam alguns dos personagens, como por exemplo a que usa Drácula quando sai de seu caixão, a armadura do príncipe cuja aparência é similar a textura dos músculos, o que lhe dá a espécie de segunda pele; sem esquecer o impressionante vestido nupcial de exuberante e exótico colo. A música é outro dos pontos importantes, seu autor Woiciech Kilar, foi capaz de intercalar temas românticos como o que corresponde a relacão de Mina-Drácula, com motivos mais intensos que sobressaem aos ataques do vampiro e que em alguns casos aparecem ressaltados por uma inquietante voz feminina.
A todo o filme se deve dizer que é excelente “A love song for a vampire”, composta e interpretada por Annie Lenox que se pode escutar nos créditos finais. Em definitivo, “Drácula de Bram Stoker”, supôs uma aproximação da figura dos vampiros, onde a natureza animal destas criaturas convive com um romanticismo latente, presente na excelente historia de amor, que subjaz como tema central do filme. Uma proposta arriscada, mas de grande beleza visual, que vale a pena ser vista mais de una vez para poder captá-la em toda sua plenitude.