quinta-feira, 3 de abril de 2008

Incerteza

A conversa não prenunciava coisa boa.
Já nos falamos há quase um ano e tivemos apenas um encontro. Ontem marcamos outro encontro em frente a uma livraria no shopping.
Só depois é que me dei conta que existem dois shoppings com a mesma livraria. Como não havia maneira de entrar em contato com ele. Resolvi ligar pro trabalho e deixar recado para que não houvesse nenhum desencontro.
A noite eu já havia saído da frente do PC e esqueci o MSN conectado. Quando abri a tela vi que ele havia entrado, resolvi ficar. Estava até feliz pensando que iríamos ficar conversando mais um tempinho, mesmo eu tendo de acordar às cinco da manhã.
Mas no início da conversa, quando ele usou a palavra acordo para designar nosso encontro, aquilo não me soou muito bem. Quando ele mandou a frase"Começamos mal." eu gelei.
Eu sonhando com pores-de sol ao seu lado e recebendo um jato de água fria.
Enfim, naquele momento tive a impressão de que algo se rompera. Ainda não sei o que, mas com certeza o futuro mostrará.
Eu tenho medo de me apaixonar. E sempre fujo de situações onde não poderei ter controle do que sinto.
Mas quero. Quero ardentemente alguém que me faça sentir um friozinho na barriga, sorrir sozinha andando pela rua, me ligue no meio do dia só pra ouvir minha voz ou que me faça pequenas surpresas.
Não sei se será ele. Aliás, depois de hoje, não sei se conversaremos no mesmo tom de sempre.
O que sei é que doeu. E é dessa dor que eu sempre tive medo. Sempre fugi de paixões e amores por medo dessa dor.
Também não sei o que sinto por ele. O que sei é que sinto falta de conversar com ele, quando ficamos muito tempo sem nos falar.
Sempre fugi de conversas mais ousadas com ele por causa disso. Sua inteligência me atrai demais. Se bem que algumas conversas em tons meio dúbios me excitavam muito.
E isso me chamava atenção. Minha percepção dele como alguem desinteressante, foi mudando totalmente a partir dessas conversas.
Quando o conheci, gostei imensamente do cheiro que ele exalava (deve ser aquele lance dos feromônios), a maneira calma como ele fala, o tênis de couro preto (não lhe disse isso, mas acho sexy homens com tênis de couro).
Ah, e não posso esquecer o cabelo.
Imediatamente me imaginei sentada em seu colo beijando-o com minhas mãos enroscadas naqueles cabelos, mas também não disse isso.
Agora, talvez nunca mais nos vejamos, nunca esse beijo aconteça, nem vejamos pores-de-sol juntos.
Está doendo essa incerteza. Está doendo tanto que lágrimas caem dos meus olhos involuntariamente.
Eu sei que sempre vou sentir falta dele, falta do que não houve, do que não tivemos.
E sempre que comer chocolate me lembrarei dele.