domingo, 31 de agosto de 2008

Madonna, mito da indústria cultural

A próxima vinda de Madonna ao Brasil fez com que eu lembrasse de um ensaio sobre um livro feito há tempos atrás que coloco aqui para apreciação (ou não) de quem se dispuser a ler o tópico inteiro.

"Falar sobre Madonna parece ser tarefa fácil. Figura conhecida na mídia mundial, seu comportamento polêmico é sempre alvo de críticas, tanto favoráveis quanto desfavoráveis, e influência no comportamento social de jovens em todo o mundo desde os anos 80 do século passado.
Foi pensando nisso que Douglas Kellner decidiu levar esse fenômeno cultural da mídia para o campo acadêmico e estudá-lo no livro A Cultura da Mídia. E com total imparcialidade expõe de forma clara e objetiva todo o contexto do surgimento de Madonna, saindo dos conceitos “pró ou contra” e interpretando adequadamente sua obra, sua imagem e os efeitos que geraram.
Não foi por acaso que Madonna despertou seu interesse, fazendo com que dedicasse sua atenção à esse estudo. Madonna é um ídolo e, como tal, é formadora de opiniões. Basta que lance um novo trabalho e logo será seguida, reverenciada e principalmente criticada. Suas apresentações reúnem milhares de fãs em todo o mundo. E como estudioso do comportamento humano, Kellner se sentiu atraído pelos motivos e circunstâncias em que isso vem ocorrendo.
Em seu texto, Kellner mostra a influência de Madonna na cultura da sociedade e na moda, causando novos padrões comportamentais e identidades ao expressar sua rebeldia através de suas atitudes e roupas extravagantes, no intuito de subverter e ultrapassar os limites impostos pelo conservadorismo imperante, o escritor demonstra que Madonna conquista sua fama experimentando e construindo para si identidades diferentes e transformando-se sempre de acordo com as mudanças culturais que estavam acontecendo em todo o mundo.
Seu olhar científico percebe as estratégias de marketing feitas pela assessoria de Madonna, que produzia suas imagens e a cercava de publicidade, caracterizando-a como um sucesso da propaganda e estratégias de produção e merchadising.
Douglas Kellner divide a “estrela” Madonna em três diferentes e principais fases com toda a sua produção cultural e o impacto produzido no público entre a década de 80 e 90.
Na primeira, ela se mostra com uma imagem de forte apelo sexual conforme mostra o estudo dos primeiros clipes de Madonna feito por Kellner onde ela se apresenta como um objeto sexual, com uma vestimenta desafiadora do convencionalismo, legitimando sua personalidade irreverente e derrubando tabus nas relações da sexualidade inter-raciais, e aparecendo como uma garota fútil e “transgressora das normas estabelecidas”.
Na segunda fase ele retrata Madonna de uma maneira mais tradicional e romântica, convidando as mulheres a não se submeterem aos padrões masculinos que exploram e fantasiam as mulheres como objetos sexuais, ao mesmo tempo em que reafirma a posição feminina diante dos homens, porém sem abandonar a postura erótica. Tudo isso completamente dentro de uma ótica modernista.
Na terceira fase, Madonna segue em suas contradições e sua postura revolucionária sexual ultrapassando as fronteiras do sexualmente permissível em seus clipes e turnês. Já agora se pode notar que ela evoluiu de jovem irrequieta e provocante à uma mulher madura que sabe o que quer para satisfazer seus desejos.
A análise de Kellner é ainda mais aprofundada apresentando um texto em que insere os clipes de Madonna entre os conceitos modernista e pós-modernista, porém apenas como mais uma das estratégias de marketing de Madonna.
Modernista porque quer chocar o público com sua atuação e as personagens que permitem múltiplas interpretações, e pós-moderna somente em alguns sentidos, quando é muito difícil apreender suas reais intenções.
O texto de Kellner confirma o estereótipo que todos possuem de Madonna como uma garota fácil, materialista e sedutora, porém não como sua personalidade particular, mas como uma personagem.
É uma leitura muito agradável, não nos lembra que é um ensaio voltado para a comunidade acadêmica, possui linguagem direta e nos leva a conhecer um pouco mais sobre a sua obra fora do ponto de vista biográfico voltado aos fãs, como comumente vemos em bancas de jornal, pois sai do campo crítico ou promocional para entrar no de um observador que não tem sobre si o fato de ser ou não seu fã.
Faz-nos perceber que os atos transgressores de Madonna são calculados para abalar os conceitos morais vigentes e mostrar que a mulher é dona de sua própria vida e construtora de sua própria identidade.
Kellner termina sua obra de um modo brilhante e enfático desnudando diante de nossos olhos uma Madonna que não criou um estereótipo vulgar e sem sentido apenas com a intenção de chocar o público, mas de fazer com que se repense as convenções, cruzando limites e libertando-se das amarras do socialmente aceitável. Coloca-a ainda como extremamente contraditória, fato que permite muitas análises para apreensão desse fenômeno desafiador chamado Madonna.
É uma boa leitura, cativante sem ser pernóstica, e para quem nunca viu nenhum dos clipes de Madonna, as descrições que são feitas sobre eles nos deixa com vontade de ir em busca para ver se é verdadeira sua análise. É recomendável para fãs e para quem não lhe tem nenhuma apreciação também, para que possa percebê-la sobre uma nova ótica.

2 comentários:

Armando Maynard disse...

Parabéns pelo novo visual do blog.Quanto a Madona é uma cantora bastante profissional, que sabe usar e abusar da mídia.Um abraço, Armando(lygiaprudente.blogspot.com)

Elaine Mesoli disse...

Oh Armando, Madonna é ótima não é?
Ela sabe realmente tirar proveito em favor de si própria.

Bjus