segunda-feira, 8 de abril de 2013

Agonia de um diálogo

Telefone. Toque personalizado. A canção de Chico César anuncia quem é.
- Oi, você queria falar comigo.
- Sim, queria lhe dizer que estou indo. Sem data de volta - ela diz com o coração apertado e uma lágrima pendurada no canto do olho esquerdo.
- E o que você quer que eu diga?
- Nada. Só queria mesmo lhe dizer - ela mente.
- Repentina essa decisão. Espero que saiba o que está fazendo
Ela pensa e lhe responde: - Estou indo porque preciso ficar longe disso tudo, preciso pensar, refletir sobre muita coisa em minha vida. Não o estou deixando.
- E o que você quer que eu diga?
- Nada. Não quero que você diga nada. - A lágrima cai. É mentira. Ela quer que ele lhe peça pra ficar. Que volte a dizer que a ama, que não quer ficar sem ela. 
Ela precisa acreditar que todos os sonhos que viveram foram reais, que todo o amor que ele lhe devotara ainda existe. Saber em que ponto do caminho ele começou a se distanciar. Que ainda não acabou. Que é apenas um hiato em toda essa história.
- Ok, então. Espero que você seja feliz.
E com a chamada encerrada, o coração agoniza.


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