quinta-feira, 9 de abril de 2009

Brasil: de devedor à credor

"Agora estamos entrando no clube de credores do FMI", disse o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas nesta quinta-feira (09). A declaração foi dada após comunicado que o governo brasileiro aceitou o convite do Fundo Monetário Internacional (FMI), para participar do grupo de países que financia regularmente o organismo.

O país não financia regularmente as operações da entidade desde 1982 quando o país passou a tomar dinheiro emprestado do FMI e, em dezembro de 2005, o Brasil quitou a dívida pagando o valor de US$15,5 bilhões que venceriam no final de 2007. Esse era o valor que restava ser pago em 2006 e 2007 de um empréstimo de US$ 41,75 bilhões negociado com a entidade multilateral em 2002. Além do pagamento ao FMI, o governo liquidou também a dívida de US$ 2,6 bilhões que o governo Fernando Henrique contraiu com o Clube de Paris (grupo de bancos privados).

Desde então, se passou apenas três anos e o país evoluiu economicamente. De devedor passou a credor. Em fevereiro de 2008, o Banco Central (BC), anunciou que o Brasil já era credor externo. Isso porque toda a dívida externa brasileira, o que inclui débitos dos setores público e privado, estava garantida por um patamar maior de reservas internacionais, e de outros ativos não explicitados pelo BC.

A partir de 1º de maio, o Brasil colocará à disposição do FMI uma cota no valor de US$ 4,5 bilhões, mas o Ministro acredita que será "muito difícil" haver necessidade de o FMI usar todo esse montante.

O objetivo de o Brasil se tornar um credor do FMI é ajudar os países emergentes que enfrentam dificuldades de crédito por conta da crise internacional. Dos 185 membros efetivos do fundo, apenas um grupo de 47 países são credores do FMI. "Mostra que o Brasil tem solidez econômica e que ainda poderá ajudar os países emergentes com problema de crédito”, declarou Mantega.

Segundo o ministro Mantega, a participação brasileira estará limitada ao total de sua cota. “Não quer dizer que vamos colocar o dinheiro agora. Se o fundo necessitar, ele vai nos solicitar e colocaremos ate esse total”.

Mantega esclareceu ainda que essa modalidade de empréstimos não afeta as reservas internacionais brasileiras, que permanecerão na mesma situação. Atualmente, as reservas brasileiras somam US$ 201 bilhões, patamar desta última quarta-feira (08).

Em troca do financiamento, o ministro da Fazenda, esclareceu que o FMI dará ao Brasil Direitos Especiais de Saques (DES). Esses Direitos são unidades de conta utilizada nas transações do organismo. São ativos líquidos e fazem parte das reservas internacionais do país membro, podendo ser sacados imediatamente em caso de necessidade de balanço de pagamentos.


Foto: www.jornaldoabcpaulista.com.br/economia.htm

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